domingo, 10 de maio de 2009

Serra com Voz

E ver as raízes de lírio
terem o musgo arrancado
em operações de carga; rútilos
de geologia
com vista para o céu em atenção aos dias
de espera proibida.
Dançam os seios perfurados. O par é um
velho cego de ilha
mestre do pavilhão de acidentados
por atropelamentos
quedas em vertigem
viagens sem vinda ou chegada
para a fossa da subida. Aqui, se eu solfejar
a morte, me acompanha a visita das formigas.
E prêmios são os diamantes, patas da fêmea do
Besouro
monstro
no berço de pólvora com diálogo e estopim
no decote para leite
vazando
e a serra inteira neste silêncio milenar
que guarda a noite na água
e assopra as peças de roupa da membrana
para o deságüe violento
feito deus aos sete anos.
(repete)

& Violoncelo

Não é possível falar desta nitidez.
Mesmo assistida de longe pelo movimento
oblíquo da água e a sua costura
na nascente das pedras quentes que
rejeitam e depois abrigam os meus pés
assentes com a teoria do fogo.
Eu sabia de gostar do nado com enfeite
natural de flor laranja sobre o primeiro fio
de cabelo branco, grave, que encerrou
o ano na disparada pelos relevos
e fez cair sobre mim a grossura das
cavernas e um vale certamente modificado
pela velocidade com que me dissolvo
e me dissipo na lucidez molhada de pedra
de rio.
Não era possível permitir esta voz.

2 comentários:

Compulsão Diária disse...

Delíram musgos arrancados das

serras na velocidade com que nos

dissolvemos e se dissipa nossa

lucidez.

Não é possível permitir os diálogos

estopins.

Grande texto.

Abraços

Beatriz - Compulsão Diária

Benny Franklin disse...

Que texto, heim?
Bom!