terça-feira, 26 de maio de 2009

Se em toda forma pulsa o eterno,
qualquer contemplação pode abolir o tempo.

A escuridão confunde os corpos.
Nela, quem poderá separar a unidade das coisas, 
senão a memória ou 
a escavação constante dos sentidos?

Qualquer o método, é bom que se apresse.
Pelas janelas dos ônibus,
pelos asfaltos da cidade,
esse caminhar dos homens tem me sido insuportável.

Agosto de 2008.

16 comentários:

Joe_Brazuca disse...

Insuportavelmente esplêndido !...qq maior comentário meu, redunda...

um abraço

Adriana Godoy disse...

Poema bom demais. Simples e rico de significados. Amei.

Benjamin disse...

Espetacular, Hugo!

Anônimo disse...

o tempo não existe.
vi que vc tb já percebeu isso ~
s.m.

Vera Pinheiro disse...

Bárbaro, Hugo!

Bea - Compulsão Diária disse...

Saquei seu trabalho árduo e silencioso que interpela a linguagem . Sua escrita é tão investida que abre cada clareira no poema dia que eu me encanto

Hercília Fernandes disse...

Muito bom, Hugo.
Gostei imenso.

Beijos :)
H.F.

BAR DO BARDO disse...

Deus está em tudo?

Eis um estudo.

Assis de Mello disse...

Gostei demais.
Muito bom mesmo, Hugo.
Chico

Victor Meira disse...

Hugo, tô impressionado. Os primeiros versos são eternos, cara. Não é só lindo e sensível; é relevante, lúcido. Acho que começa a perder força conforme caminha. A primeira estrofe é um estupro; a segunda é ainda brilhante. Mas a terceira me surpreendeu um pouco (ainda mais no fim-desabafo). Não sei sobre ela, não me pegou como as composições iniciais.

É lindo, Hugo. Poemásso. Penso também que qualquer contemplação pode abolir o tempo (lindo, mano). A arte é - se não um atalho - uma ferramenta que nos chama à contemplação, como se o mundo não nos chamasse à mesma ação por si só. A arte é um vício. A contemplação é a maior das delícias.

Benny Franklin disse...

Salve, Hugo!

De prima, irmão!

sidnei olívio disse...

Antológico!!!

Audemir Leuzinger disse...

perfeito.
não me surpreende em nada vindo do Hugo.
ave, amigo!

Julia disse...

Hugo!

Guri, incrível esse teu poema.
A força de cada palavra é impressionante.
Uma descoberta da identificação.

Bj!

Anônimo disse...

And if I pray, the only prayer
That moves my lips for me
Is, 'Leave the heart that now I bear,
And give me liberty!"

Tatiana Pequeno disse...

faço coro, abominável Hugo.