quinta-feira, 14 de maio de 2009

"porém, já nascemos livres"

Há algum tempo, iniciei uma série de poemas de quatro patas, pelos, unhas afiadas; uns com manha, malícia, astúcia; outros mais ariscos, selvagens [ou quase isso].

Eis três "demos" dessa série [ainda sem nome, sem fim, sem pretensão de sair do campo das ideias. ao menos por enquanto]:



imagem so site long beach felines


1


na ânsia do en_
lace dá-se
alucinante lance

passos de dança
lasso-lancinante
compasso de espera

cadência que oscila
assanha a cena
amansa a estreia

[estranha
entrega/trégua]

soletra-se
com pressa & pausa
cada sílaba suada
da "sonolépida" cilada

[a corte
pega & paga :
seu preço seu press_
ágio]

premissas de pos_
se ágil

domínio
de iris em iris in_
domada

[olh]
ares de fera o_
dores de cio
anunciam
:
núpcias em um p_
iscar de cílios

pinta
um clima[x]
na [verde em folha]
relva

no virgem ringue
aflora

o rala e rola dos linces



2


nuca ao alcance
das presas prontas

unhas de pressa
pretas patas práticas

fome indócil
tatuando no dorso
o indício da posse

perceba [& print]
a seiva do poema
em plena selva

imite [& do it]
a pegada firme
das panteras



3


a língua domesticada
estirada lambe
[lava lava lava]

lânguida preguiça [áspera]
aplica a seco
um banho de ideias úmidas
ao longo do pelo

asseio que bisa bisa bisa
reprisa tédio
visa assédio

voyeuse do auto-zelo
a lua [em fase de vírgula]
vela o palco do luto enlace

à alta madrugada
um bando de gatos [à míngua]
são alvos

de gatas bandidas




imagem © louis mason


valéria tarelho
*ingerir ao som de "gata todo dia", com marina lima"

12 comentários:

Adriana Godoy disse...

Muito bem conduzido o poema nas imagens,
formas e sentidos. Tenho dois gatos e os vi em seu poema. Muito bonito e elegante. Como os gatos...

Benny Franklin disse...

Mandou bem, Valéria!
De prima!

Adriana disse...

Valéria,
Seus sons fazem o poema, mas a semântica combina em tudo.Feliníssima.

Tenório disse...

Acho os poemas da Valéria uma novidade. Originalidade e genialidade! Outra coisa.

Compulsão Diária disse...

Valéria,

Altíssimo nível . Ritmo alucinabnte tema que me encanta.

Eles são como as palavras: surpresas feiticeiras

Eu adorei. Eu adorei. Eu adorei.

eu gostei adorando tudo neste seu postado

Guto Leite disse...

A Val é a Val, né, coisa mais bonita, original, de estro. Muita poesia!
Beijos, poetíssima

Anônimo disse...

Bela poesia felina! Show de sonoridade, ritmo, inventividade linguística...sem mais palavras, apenas desejando, mais de sete vidas, a sua escrita! Parabéns!

Henrique A (PH)

srsrrs

Tião Martins disse...

Mostrei aqui para o Samurai e a Nikita, que não só gostaram muito como mandaram lhe enviar saudações felinas.

sidnei olívio disse...

Qualquer comentário sobre a poesia da Val, seria, para mim, cometer redundância. Sempre o prazer em ler essa magia original. Beijos, querida.

Francisco Coimbra disse...

A introdução é um fenómeno e os demos são “demais”!

Felipe Vasconcelos disse...

Val, só fui ver hoje esses poemas geniais! Todos três são ótimos, sendo o 2 meu predileto. Então é série? Tem mais? Cadê? :)

Priscila Lopes disse...

Sou fã do trabalho da Valéria. Há mais de um ano escrevi a ela convidando para fazer parte da coletânea que sábado lançaremos em São Paulo, no Bar do Batata, às 19h30.

Infelizmente não houve retorno. Talvez até o e-mail não fosse mais aquele seu; enfim, outros projetos virão. Continuo desejando sucesso.

Um abraço!