terça-feira, 19 de maio de 2009

Lua Negra

O grito torna palpável a solidão.

A estrada atada à linha fugidia,
o topo surdo da montanha
ou um nicho no granito
não ratificam tanto o ser só
quanto gritar na multidão.

O grito é faísca
de massa cinzenta em combustão,
imperceptível na tensa claridade.

O grito é rito
de intriga e desintegração
a riscar e trincar o obscuro.

Se a poesia lambe a face iluminada
o grito tange a lua negra,
sem arrecadar simpatia.

Sabe a censura da razão
e a ovação da boemia etilizada.

Seu palco é a rua, o relento,
entre a bênção das estrelas
e o irromper dos ratos nos bueiros,
onde qualquer cadela vadia
cuida ensinar-me amar à lua

Iriene Borges

5 comentários:

Papagaio Mudo disse...

parabeníssimo!
"Se a poesia lambe(...) [a poesia lambe mesmo]
"o grito tange a lua negra,"(...)
tange de tangir, de tocar, não é? me corrija.
Beijos Iriene,

Gustavo

Audemir Leuzinger disse...

lembrou-me lilith, a lua negra.
a segunda mulher de adão. e que não aceitou seu jugo.
imagens lindas.

Tenório disse...

Sensacional!

Adriana Godoy disse...

Amei.

Compulsão Diária disse...

O grito é risco pra trincar o oboscuro e fazer o outro lado da lua!