quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Não há um último passo em um ciclo

Uma saudade nada retrátil, um empecilho (mostarda, alusão da grama, do giz, gola em vê) cansa a justiça com algum peso. Antecipar iça a noite; um coice do pulmão na costela e um dedo longo a furar o peito, aparecendo às costas. Quinhentas promessas reais jamais se justificam. Isso toma o cansaço-burro e liga o alarme. Quinhentos e sei lá. Passos de sei lá. A ferramenta fende a cabeça pra dar vazão à falta de satisfação - senda rouca da compulsão do éden.

Alude-se tudo num mundo dependente de alegorias.

8 comentários:

Tatiana Pequeno disse...

seu poema me lembrou um verso duma das músicas mais fantásticas de uma banda chamada the afghan whigs. a canção é my curse. e o verso é everytime i came undressed.
talvez porque o primeiro verso diga - you hurt me, baby. e depois disso, sabe-se, a única coisa viva seja uma saudade nada retrátil. um empecilho de viver, essas coisas.
se eu fui mto longa, desculpa. são quase três da manhã.

Victor Meira disse...

Tati, chapei no teu comentário. Vou atrás da banda, viu?

Beijo!

H.S. disse...

Lindo meu velho.

Segui tuas linhas num porão de pessoalidade pra cair num sei lá muito bem utilizado! Gostei demais do sei lá. Passos de sei lá diz tudo.

ABS!

L. Rafael Nolli disse...

Victor, meu camarada, muito interessante essa viagem poética, simbólica, passiva de várias interpretações! Bacana! Abraços!

Adriana disse...

Gostei desse emaranhado poético. Uma pequena viagem, um pequeno delírio.

Compulsão Diária disse...

Bom como de praxe. Enigmático, quase sempre. Excelente sempre: as surpresas no tema e na forma. Allez!

Assis de Mello disse...

Interessantíssimo este poema, Victor. Vou reler mais algumas vezes.
Chico

Benny Franklin disse...

Diferente e mostardento... Rs. Valeu!