segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

100 ANOS DE CARMEN MIRANDA

"Mesmo depois dos quarenta,
ainda sou tão square (quadrada mesmo),
que acredito no casamento de igreja,
de noiva e tudo o mais.
É uma cerimônia linda, inesquecível.
Mesmo que seja para se divorciar depois..."




FIM DA FESTA

Há uma solidão tão minha
que até de mim se disfarça
quando estou sozinha.
E não passa
onde quer que eu esteja,
porque sempre me segue
sem que eu sequer a veja.
Ela está aqui,
escondida,
mas quase despercebida
num beijo de amor.
É quando quase alcanço o céu...
... e de lá me assombro!
Quanto mais fantasio,
maior o vazio,
pior o tombo;
pois não há amor
sem alguma expectativa,
nem há expectativa
sem alguma dor.
Ilusão...
Desilusão...
É sempre o que resta.
A solidão é o fim da festa.
Quando muito,
há paetês no chão.
Ao menos sei
que é assim
e guardo pra mim
essa lucidez nas mãos.

Renata de Aragão Lopes



Imagem: http://www.colegiosaofrancisco.com.br/
Frase: http://carmen.miranda.nom.br/cm_frases.htm
Poema: um dos quinze selecionados no IV Prêmio Literário Livraria Asabeça - Poesias, Contos e Crônicas, realizado em 2005, pela Scortecci Editora. Integra a respectiva antologia.

32 comentários:

Mario disse...

Como tudo o que faz: Lindo!

Victor Meira disse...

Bonita lucidez. Pra falar a verdade, sinto falta de mais solidão.

Anônimo disse...

Renata,sou suspeita pra falar sobre
as coisas que voce escreve,pois acho tudo muito lindo,assim com voce é,bonita,verdadeira,intensa,
sonhadora,uma pessoa especial!!!

L. Rafael Nolli disse...

Força poderosa essa solidão! Bacana o poema, Renata!

Anônimo disse...

Muito bom! Gostei muito!
Parabéns Renata!
TecaMiranda

Malvina disse...

Apesar da poderosa convicção de solidão que você expressou nesse poema, é maravilhoso! Parabéns!

Anônimo disse...

Poderia dividir um pouco desta tua solidão, sem fim de festa, amanhã tudo recomeça.
Voce sempre me surpreende, será sempre uma pessoa muito especial.
Beijos.

Karina disse...

O fim é necessário, pois sem ele não haveria recomeço. E encerrando mais um ciclo, eis a solidão, que sempre nos fortalece.

Renata, seu talento é inquestionável!

Tenório disse...

Um poema lúcido, sem firulas, simples sem ser óbvio. Quase um tratado, pela clareza, mas que se resolve poema, pela beleza das imagens.

Márcia disse...

um poema, além de lindo... profundo. (Me tornarei ainda mais reflexiva na solidão depois dele... e essa reflexão será mais ampla, sem dúvida...)

Renata de Aragão Lopes disse...

Obrigada a todos.
Pelas palavras e carinho.

Compulsão Diária disse...

Solidão escondida num beijo de amor é uma bela imagem para que, através da poesia, lembremos que ainda que em plena paixão somos dois. Ainda bem que há algo mais no beijo de amor.
Bacana! Belo poema

Adriana disse...

De uma maneira sutil e poética seu poema nos leva veradeiramente ao fim da festa.

Túlio Beggiato disse...

Renata, para todos que a conhecem pelo seu estilo peculiar e irreverente, é, no mínimo, inusitado este poema de cunho não tão contente. Este contentamento descontente. Isto demonstra a sua versatilidade como pessoa e escritora. Parabéns.

Blogger do Zat disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Blogger do Zat disse...

Renata, achei lindo o seu poema ... triste, como a maioria dos belos poemas ... tocante, intenso e sutil ao mesmo tempo.
Me fez pensar que "estar" sozinho é importante, oportunidade de recomeço após o fim da festa, como disse a Karina.
Só não podemos nos deixar "ser" sozinhos, seja no isolamento ou mesmo na multidão!
Parabéns!

Barone disse...

Há uma solidão tão minha
que até de mim se disfarça
quando estou sozinha.

Elimar Jacob disse...

Parabéns, Renata,
pela beleza, verdade e coragem contidas em seu poema.
Quero estar sempre por perto da sua trajetória literária.
Vale a pena!
Elimar Jacob.

Mari Senise disse...

Renata, muito bom conhecer esse seu lado literário. Que você é uma pessoa de grande sensibilidade eu sempre soube, mas estou feliz em ver isto traduzido em versos. Parabéns e quero ler mais!

Renata de Aragão Lopes disse...

Que delícia!
Quanta visita surpresa...
Obrigada, amigos!

Célia disse...

Renata,
que poema lindo! Os primeiros versos dele são... "drumondianos". Muito lindo.
Bom saber desse seu talento. Porque de sua sensibilidade eu tive a sorte de saber há tempos, quando me foi solidária. Coisa que a gente nunca esquece.
Beijo, querida. E parabéns!
Célia - PRMG

Anônimo disse...

Seus 3 primeiros versos e todo o ANZOL de Débora Tavares (09 de março) são as P O E S I A S de POEMA DIA. Escrever não é para muitos. Poucos sabem ler poesia.

Renata disse...

Célia e anônimo,

obrigada pela visita e pelo apreço.
Retornem sempre!

Felipe Vasconcelos disse...

Renata,
O que mais gostei nos seus poemas é sua mão segura com a rima, recurso que sofreu injustamente algum preconceito depois das vanguardas. Não é fácil. Qualquer som muito recorrente pode ficar chato. Parabéns!

Tião Martins disse...

Achei outro aqui!

E concordo com o Felipe! A moça vence o preconceito com a rima (que, cá entre nós, eu gosto pacas) e manda muito bem.

Aliás, que ninguém nos leia, um efeito colateral bem chatinho das vanguardas é que depois delas qualquer ser pode se achar poeta... o que explica muita coisa que vemos... bem, deixa pra lá!

O que importa é que gostei de ler e mais uma vez un tema complicado... solidão. Essa moça de Juiz de Fora tem muito juízo dentro! Bem, isso foi um elogio... rsrsrsrssrsr

beijos

Renata disse...

Felipe e Tião,

que bom que vieram! Fiquei muito feliz tanto com a visita, quanto com os comentários!

É realmente curioso. Ao escrever, não tenho compromisso com a rima, mas ela sempre acontece. Até já escrevi a respeito: a preponderância dela sobre minha vontade. Em diversos concursos literários, adotei, inclusive, o pseudônimo "Menina que rima". Não à toa! rs

No entanto, só agora me dei conta de que, em ambas as postagens, abordei temas complexos (adoro falar de solidão e saudade!). No próximo dia 23, trarei algo menos sério. Porque tenho, sim, Tião, muito juízo, mas também incontáveis momentos de bobice! rs

Gostei tanto da experiência aqui do blog, que estou para inaugurar um particular. Serão, novamente, meus convidados!

Abração!

Tião Martins disse...

Tb sofro de rima compulsiva!

Viva Leminski:

o amor é um elo
entre o azul
e o amarelo.

Estava mesmo pra sugerir que vc criasse seu próprio blog. Criei o meu por sugestão da Valéria Tarelho e até hoje agradeço a ela por isso.

beijo

Renata de Aragão Lopes disse...

Em primeiríssima mão!
http://docedelira.blogspot.com/

Felipe Vasconcelos disse...

Tião,

Grande Valéria Tarelho! Não só uma poeta sensacional, mas uma amiga da poesia trazendo à tona um blog como o seu, Tião! Eu não sabia disso não, vou escrever pra ela agradecendo! Aliás, a Val também me foi uma grande amiga numa "crise poética"; sem ela eu teria ficado completamente desnorteado.

Renata de Aragão Lopes disse...

E a prosa continua por aqui...

Thais Zimerer disse...

Renata, quase fico doida com 1 blog apenas, e vc com tantos!
Gracias pela visita e volte sempre viu?

"Quanto mais fantasio,
maior o vazio,
pior o tombo;
pois não há amor
sem alguma expectativa,
nem há expectativa
sem alguma dor."


Copiei e colei lá, mas com créditos.
Confira!

Renata de Aragão Lopes disse...

Conferi, Thais!
Obrigada!