quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O vinho (a morte de Deus)

- Wine, wine!
Gritava em oração o velho que ficara sozinho em sua fazendola em algum lugar tropical. Era a maior seca que esse gorducho já havia visto.
- Oh meu senhor, pai celestial, Deus todo-poderoso, que tudo sabe, que tudo vê. Cujo cajado – serpente engolidora de poder transformada em madeira – tem gravado em suas escamas, recortadas na nobre matéria prima, toda história, presente, passado e futuro. Criador de todas as coisas, cuja cabeça guarda um Aleph verdadeiro. Por que castigas este teu servo? Que sempre lhe serviu, na medida que sendo humano me foi permitido, é verdade, mas com todo o fervor e devoção. Por que me abandonaste?
Então no meio de sua plantação de Peyote surgiu um gigantesco e plasmático ser. Por onde passava os cactos abriam caminho e as flores floresciam, aos olhos do humilde senhor gorducho, vítima da horrível seca que assolava aquela região.
- Oh meu pobre servo, sou eu, o Deus-Morto. Sim, estou morto. Lá nas terras que o senhor não conhece fui assassinado! Os homens não crêem mais em mim! O senhor está atrasado.
- Mas Como podem não crer, basta que faças uma visita como estas fazendo a mim!

- Não meu caro, isso, o que restou de mim, vive no inconsciente dos atrasados como o senhor, não tenho mais poder, pois não estou mais no inconsciente e consciente da maioria.
Então o que farei? Estou sem proventos, tenho sede e não tenho vinho!
- Vai, faz o que sempre foi feito, tenha vontade e aja, busque água na fonte da sabedoria.
- Mas como? Sem sua ajuda?
- O senhor ainda não entendeu? Um ser que só existiu em consciências ia lhe ajudar como? Vai, volta tua força para terra, é com ela que deves contar, esquece o mundo que não vês, espera tudo desta vida, não fujas para o além, não contas com pós-mundos. Agora de deus já sabe a verdade.
O gorducho saiu a procura de água, achou a velha fonte, tomou alguns goles. Logo lembrou da sua plantação de paraísos artificiais, antes mesmo de matar totalmente a sede tratou de encher seu balde e correndo foi fazer um bendito, do Nirvana, da Beatitude, chazinho do Cacto Sagrado.
- Quem sabe falo de novo com o Divino Deus que me salvou da morte! - Pensou o pobre velho enquanto dava um gole no líquido que leva ao paraíso.

2 comentários:

miss enxaqueca disse...

paraísos artificiais. feriados artificiais...

Sergio Kroeff Canarim disse...

hum...