segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O samba das ninfetas



O samba das ninfetas



1.
Chegando como ninfas de boutique,
dão toque, piscadelas para mim.
É lógico, sorri, disse que sim,
podiam se sentar, não é, Caíque!

Um drinque de enquadrar, o do mais chique,
fiquei animadinho, porque vim
a fim de uma conquista que, no fim,
seria duplicada por meu pique.

Convido para um, pô!, particular,
depois de mais dez drinques e porções
de finos acepipes, sou brilhante.

Pileque, riso solto, vai rolar
no rolo compressor das emoções
a noite de espetáculo ululante.


2.
Amigos conversando pelo Skype.
Desejo de você, que se dá bem,
desejo sua sorte, que eu também
mereço umas meninas desse naipe,

me diga direitinho qual o mapa
das taras que há na rota de seu trem,
das minas que se dão ao seu harém,
quem são as beduínas do meu chapa.

Amigo, ou nem me diga, que eu invejo...
Mas como que essas vacas vão pro brejo?!
Revele seus segredos, por favor!

Não minta, não se omita de um detalhe,
imploro que a memória não lhe falhe,
me fale sem o gelo, com fervor!


3.
Silente, está na vez da consciência,
da voz que tonitrua em afasia,
dizer o que de fato, em sua essência,
aquele bate-papo fantasia.
O cara teve as duas no cafofo,
se achando o sedutor, o garanhão,
tomaram mais um copo, mas o fofo
não foi nem para o quarto, foi ao chão.
Depois que despertou, algumas horas,
deu conta de que o encanto de titio
não banca ninfetinhas, mas “senhoras”,
um par de meretrizes infantil:
.....foi pego pela boca, o tagarela,
.....no golpe “Boa noite, Cinderela!”

***

8 comentários:

MIRZE disse...

Henrique!!!!!

Que beleza de soneto em três partes, para nosso deleite!

Esses "titios" andam se proliferando.

EXCELENTE!

Parabéns!

Beijos

Mirze

BAR DO BARDO disse...

Mirze,

repito o que há no cotidiano, suspeito.
Obrigado!
Beijo!

João Luis Calliari Poesias disse...

Samba das caçadoras e Blues da caça. Seria o contrário? Sei lá, gostei muito!! Abraço, Henrique

BAR DO BARDO disse...

Calliari,

na realidade, o título original era "O rap das ninfetas", porque a ideia para o texto surgiu após a escuta de um rap francês, em que um camarada se dera mal de uma forma bem parecida com a que apresento: fiz algo próximo de uma paráfrase. Mas a opção de uma dobradinha samba-blues é bastante, digamos, alentadora...
Obrigado!
Abraço!

L. Rafael Nolli disse...

Uma bela fotografia! Poema de quem sabe ver o mundo a seu redor.

BAR DO BARDO disse...

Oi, Nolli!

A gente vê, a gente fala: ainda que por meio de um silêncio consciente.
Obrigado!
Abraço!

Adriana Godoy disse...

Bardinho, tri delicioso. Noel gostaria disso. Beijo

BAR DO BARDO disse...

Valeu, Adriana!

Beijo!