terça-feira, 5 de abril de 2011

A ESQUINA DA IDEIA

A ESQUINA DA IDEIA (ligação ao blog DIÁRIO DE LETRAS II)

Porque a palavra branca da ansiedade anseia
a minha ceia é uma ideia lisa como lâmina
a segurar o fio por fronteira para cortar
a alma como balão liberto ao espaço

Tudo isto num momento se engendra
base
bitola
busílis

Até que o fio passa a fronteira
calma
crise
crê

Dás por fado o enfado de viver sem porquê
ditas o que dizes às palavras e escreves
desenvolves a vida vendo o ouvido
e é no canto que encostas a esquina da ideia

12 comentários:

Sam disse...

Que belo, Francisco.
Que bonita interação, criação nessas esquinas... deslumbrantes.

Meu beijo.

Benny Franklin disse...

De prima beleza!
Boa!

Joe_Brazuca disse...

a,b,c,demais !

bravo !

abs

Francisco Coimbra disse...

Companheiros, muito grato pelos comentários! Gratidão que pouco mostro, mas estive pensando... Tudo depende duma vontade, mas ela fica entregue ao desejo e quando este não persegue aquele é este entretém que nos entretém, não nos tendo verdadeiramente.
Bem que gostaria de acasalar desejo e vontade, e que procriassem!
Feitos os agradecimentos, engendrado este paliómetro (paleio ao metro), é preciso levedar as palavras, deixá-las crescer para criar a "massa crítica".
Vamos ver o que dá, vou passar ao dia 1 de Abril!
Seria muito interessante lermo-nos e relermo-nos, procurando uns nos textos dos outros, na opinião uns dos outros: OS TEXTOS E OS OUTROS.
De algum modo isto obrigaria a ganhar hábitos e a gerar, gerir e ter, tempo e disponibilidade para sermos... outros. Eu, um comentador dos outros, alguém melhor, mais participativo, com mais tempo!...
Pois é, este é sempre o grande busílis. O tempo é a nossa vida, a nossa vida é o que fazemos com o tempo.
Temo ser a contragosto que me fique por breves saudações aos outros e aos seus textos. Que fazer? Vamos ver... Abraços transatlânticos para o Brasil e Portugal, da insularidade dos Açores.
A ilha, um lugar onde o tempo, permanentemente, tem ondas!
Fica o paleio e saio do Metro onde mergulhei viajando imaginar, o Metro, o paleio, a escrita onde viajei.
Dando o Metro como comboio, bóio... Fico à deriva agarrando a dita cuja, anel de borracha, onde me sento e fico sentindo as ondas, flutuando. Deixando a massa crítica crescer, levedar como o pão, fazendo um bolo. Um suculento: suco lento... para convidar os leitores a, pelo menos este mês, viajar nos dias, fazendo a "crítica literária" da presença mais interessada e dada à presença neste blog! Valeu? Topou!?
Seria muito bom ver mais companheiros entrar nesta demanda dum Graal que será procurar dar uma presença Geral nos textos de "todo o mundo"!
O Henrique ainda não deixo seu comentário, acho que ele é a pessoa certa para alimentar esse húmus da leitura onde é bom que a escrita possa mergulhar suas raízes.
Bom, também fica o convite de visita ao Diário de Letras II, deixo link onde meu poema de hoje tem título. Tenho de me despachar, o hoje está chegando a ontem: a vida a andar para trás... andando para a frente. Abraços!!

Benny Franklin disse...

Considero isso, o texto acima - lido e digerido - um brinde aos poetas; exceto, eu, um pateta. Abs.

Francisco Coimbra disse...

Oi Benny,
Teu comentário deixou-me apatetado, sem saber o que pensar. O desafio que aqui fiz ao Bar do Bardo, na pessoa do Henrique, o mesmo faria a ti. Só por um motivo, sem pedir, são quem melhor cumpre o desafio que me proponho e aos outros deixo como proposta.
Quanto ao teu comentário, ele não poderia ser melhor «um brinde aos poetas», depois desta frase brilhante de luz, não gostaria de deixar que a diminuísses chamando pateta ao seu autor. Embora reconheça, só tu tens direito a fazê-lo, brincando contigo mesmo, como supus. Abs sem ABS :)

Benny Franklin disse...

Na verdade, Francisco, não me considero "poeta":
pateta, sou!

Valeu, pelo texto!

sidnei olivio disse...

Mestre Francisco e Benny, aprendo sempre com vcs e só me resta aplaudir e admirar. Mestre Francisco, até seus comentários me fascina. Grande abraço.

Kiro Menezes disse...

Em genialidades só perdes para o meu querido Coimbra, Francisco Coimbra!!!

Óh ironia... ^_^•

Sois mesmo tudo isso que prevê tua poesia ♥

BAR DO BARDO disse...

A palavra branca se tinge por ansiedade. Magenta, outros tintos tantos de enrubescer as vinhas.
Caro Coimbra, a ausência dialogal gera não o silêncio mas a ininterrupta sílaba aguda da dúvida.
Falas de fio e lâmina, o que me faz lembrar estilete e daí estilo. O estilo é a bitola para tráfico do belo?
Temo que nossos egoísmos não engendrem alteridade. Mas a poesia gera, sim, outridades e mais e mais e mais e menos é mais...
Na esquina da ideia, um tigre entona algumas passagens da Carmina Burana.
Enfim, a questam Coimbra.

Gostaria de ser mais presente - projetitos me impedem. Por isso, eu não existo.

João Luis Calliari Poesias disse...

Francisco, esta sua esquina...é o que nos leva adiante.Abraço.

Francisco Coimbra disse...

Oi Benny,
A convicção tem sempre valor, mas só nos vence quando convence.
Podes tentar, mas Pateta há só um. Não que não possas ter o carisma, a graça, a personalidade rica e versátil dum personagem de banda desenhada, mas… Patetas há muitos, poetas patetas? Está certo, andei pensando no assunto. Ah, vou dar a primazia da resposta original para ocê! A riqueza epistemológica do “poeta pateta”, o argumento é interessante, tudo, como tudo, depende do desenvolvimento.

Sidney,
Agradeço a tua presença, és um amigo.

Kiro,
É esse movimento da palavra que alcança a dança, o nome s_obra… Beijo poético!

Henrique,
Finalmente um toque da alteridade como a imagino em poesia:
http://diariodedetrasii.blogspot.com/2011/04/duracao-duracao.html
Quanto à metáfora da “palavra branca” lembra-me RR (Ramos Rosa) um poeta rico no campo do ensaio, comporta muita leitura. A aproximação à genealogia com_porta… a matriz primeva e a que se faz vindoura. Obrigado por estares presente!

João Luís,
Concordo! Obrigado.