domingo, 3 de outubro de 2010

as divisões da alegria

não existe poema juvenil que não namore a extinção
fazem hora extra para não virar prosa
pintam aquarelas em preto e branco
os sombreados mais ladinos escapam

como possível adjutório
abrem a última das cartas marítimas
esta traz a regularidade dos ciclones
o domicílio dos monstros
e as fobias dos quinze anos

como transformar minhas mãos sozinhas
sem bolsos
nas mãos de Paracelso?
em quantas partes se divide a alegria?

poemas da puberdade vestem xadrez
e sai do tabuleiro
uma longa fila de bispos esquecidos
como se seduzidos se perdessem
línguas seladas como se cartas fossem
como se mortos estivessem

e o silêncio dos bispos me ensina
com quantas partes
se faz uma verdadeira alegria

2 comentários:

Albuq disse...

dividir é mágico... alegria e poesia.

Barone disse...

Muito bom meu velho.