terça-feira, 17 de agosto de 2010

sem meias palavras


na tarde de inverno
sou folha sem vento
arrastada na enxurrada

rumo ao nada que se esconde
no outro lado dos esgotos
que atravessam silenciosos as cidades

fosse em paris seria charme

mas aqui às dezoito horas
de um dia chuvoso de agosto
no nordeste brasileiro

sou puro desespero



Márcia Maia

6 comentários:

Albuq disse...

Que comparação fantástica! sei bem o que é o nordeste brasileiro!
bjs

Felipe Marques disse...

Folk Total!

Mui buenas palabras!

Bjos e Abs

Renata de Aragão Lopes disse...

Belíssimo!

Marisa disse...

poema muito belo :)
depois pode deixar um comentario no meu blog, pf?

Flávio Machado disse...

Belo poema parceirinha

bjs

Francisco Coimbra disse...

Mesmo escrevendo «sou puro desespero», a poetisa consegue uma poesia de charme... evocado na comparação que deu no verso: «fosse em paris seria charme». Parabéns!