sábado, 5 de junho de 2010

POÉTICA MÍNIMA

1
onde a palavra se transforma
escrita

2
deixarei as palavras invadir as páginas
até encher folhas enquanto elas se quiserem
escritas

3
depois de definida uma poética mínima
dou ao verso livre a plena cidadania para ir
acampar com as minhas letras na natureza
escrita

4
vou tentar variar entre o singular
e o plural decorrerá e decorrerão até ter
esse Futuro estabelecido num horizonte feito
para os verbos ganharem tempos vários
escritos
  
5
coloco na janela dum quarto vago
o quadrado branco dum papel cortado
para sinalizar um espaço a ocupar
havendo quem queira arrendar vendo-o
escrito, alugo ou vendo? para já, dei_xo-o…

6
o simbolismo sempre me atraiu e por isso
sempre procuro encontrá-lo e tê-lo
com a harmonia e aconchego
duma mulher que penteia o cabelo
fazendo-lhe festas fazendo-se carícias
com uma sensualidade que no homem
ergue.!.

7
o mastro do veleiro onde veleja
bolinando com a veia de poeta os versos
onde se faz às ondas procurando sair
para um mar antigo como aquele ainda
vivo e recordado como sendo o das Descobertas
ainda possíveis enquanto a escrita
não se faz com scanners no espírito
congeminador

8
neste número mágico onde o símbolo
do infinito brinca com a verticalidade dada
pelo oito… espero pelo dia seguinte
para prosseguir com esta viagem infinda
como a vida projectada para além da Morte
procurando suplantar a morte ignorante
ignorando os nossos esforços de Imortalidade
já não falando na glória desnecessária
p_arte!

9
REGRESSANDO
ando no regresso

10
LIBERTANDO
cada verso/ escrito!

6 comentários:

Lara Amaral disse...

Incrível poética!

Abraços.

Barone disse...

Interessante a cionstrução.

Diario da Fafi disse...

Belissimo!

L. Rafael Nolli disse...

Belo poema em dez grandes passos!

rogerio santos disse...

Maravilha !

Joe_Brazuca disse...

sem [mais] palavras...

formidável !