quinta-feira, 4 de março de 2010

Bula

não pense
que a poesia
é cura
é remédio

engula suas palavras
e morra

de tédio.

14 comentários:

Angélica Lins disse...

Boa composição de palavras.
Excelente seu blog!
Que coisa boa ter estado aqui...

Abraço

Adriana Godoy disse...

Ora remédio, ora sintoma, ora doença e um pouquito mais. Gostei. Bj

Bardo disse...

hahaha, ótimo!

Lírica disse...

não pense
que a poesia
é cura
é remédio

__Assim mesmo, sem pontuação? Pq faço aqui duas interpretações. Mas essa pode ter sido intencional.

engula suas palavras
e morra

__Mas se é remédio ou cura, mata?
Isto é uma antipoesia? Ou só antíteses?

de tédio.

__O tédio, por definição (conceito), é consequente a um vazio reflexivo próprio de quem vive só do entendimento intuitivo. Só posso entender a proposta deste verso considerando que 'engolir suas palavras' do verso anterior como o não expressar a poesia, mas retê-la e assim, não ufufruir de sua cura e morrer de tédio.

Sei que o olho do leitor atribui _ ou não_ valor ao que lê e a poesia dá essa liberdade, mas quando ela traz conceitos e nào apenas contemplação, instiga-me à discussão.

Felipe Guisser disse...

Muito bom, Tião!!!

Victor Meira disse...

Acho que a segunda leitura que a Lírica fez ali é dessa possibilidade aqui:

"Não pense que a poseia é cura. É remédio".

E, sinceramente, acho que a possibilidade dessa leitura não enriquece a poesia; ao contrário: confunde a leitura, e joga o trem num trilho que acaba num paredão. Acho que a leitura mais coerente tá aqui:

"Não pense que a poesia é cura, remédio".

Aqui não tem raia para a outra leitura, acho eu. Mas ó Tião:

Não pense
que eu tô
fodendo
sua poesia

Haha, tô dando corda para discussão, coisa boa de se fazer.

Acho essa poesia DO CARALHO, cara. Entrei aqui no blog, dei de cara com ela e sorri que nem uma criança. Bateu, sabe? Hahaha, achei ótima mesmo. Até o título entra na ciranda da rima, é fantástico.

Já ali quanto ao tédio, não vi na leitura da Lírica. Acho que ela parte do pressuposto de que a poesia é, por ser poesia, coisa boa. Mas é exatamente isso que a bula alerta: a poesia não é, por ser poesia, coisa que cura, remédio para a alma. Eventualmente é, mas ela não espera que você venha ao ato da leitura com essa intenção.

Aliás, não dá nem pra tomar a poesia pensando que é cicuta (leitura de "bula" caso ela terminasse sem o último verso). Disso, o tédio surge como um lugar entre o remédio e o veneno. Um lugar comum, que é esse pós leitura. A ruptura do tédio (esse sentimento de pós leitura) não surge por si só, como efeito imanente da poesia. Surge de uma vontade do leitor.

Mas o tédio é sempre uma opção.

Fantástico, Tião. Obrigado, mano, gostei muito.

Renata de Aragão Lopes disse...

"Bula",
ao que parece,
é pra se ler rindo
e se debater sério!

Interessante o raciocínio
acerca das pontuações possíveis.

Excelente, Tião!

Vera Pinheiro disse...

Maravilha, Tião. Adorei ficar matutando as vírgulas lá e cá, brincando com o resultado.

Lírica disse...

Ok, Tião, vamos lá novamente. Li o comentário de Victor e... ele sempre me faz sentir uma troglodita intelectual. KKKKK. Realmente a sua poesia tem uma qualidade absurda de gerar reações, inclusive adversas, como comichões. E isso é fantástico! Muito mais interessante do que poemas unânimes que suscitam comentários rasos. Vc é fera.

E como disse a Vera, dá lugar a muitas entonações, pontuações...

Mas eu não concordo com a interpretaçào de Victor porque eu não falei de intuições, mas de conceitos. Enfim, cada um lê com a lente de que dispõe. E como você escreveu de modo nobre, não óbvio, cada um tem que apurar a visão pra enxergar o que tem aqui.


não pense
que a poesia
é cura
é remédio

engula suas palavras
e morra

de tédio.

Então fica assim, a poesia como veneno, mas a causa mortis eu não posso, conceitualmente, atribuir ao tédio a menos que o público alvo esteja imensamente aquém do autor e, portanto, sem instrumentalidades para sorver, metabolizar e curar-se... mas antes, refratário ao seu princípio ativo, tenha que padecer de tédio diante do que poderia ser tào excitante.

Obrigada por me presentear, assim como a todos os que aqui visitam, com essa rica "iguaria".

Lírica disse...

Outra leitura:
Por que vir aqui ler e escrever poemas? Para amainar um sofrimento qualquer? Para sublimar? Para anestesiar? Fortalecer?...
Engolimos. Mas continuamos morrendo de tédio.

tenorio disse...

Por todo o debate que gerou um poema que, a olho nu, parece simples, mas é cheio de duplos sentidos, exatamente como a pessoa do Tião, só posso dizer que é genial.

Genial Tião. Vc é o cara.

Tião Martins disse...

Amigos, fico contente por perceber que, de certo modo, a "Bula" cumpriu o que estava previsto em sua receita: provocar vários sorrisos e algumas reflexões.

Mais uma vez, acho que os comentários superaram o poema. Valeu. É por essas e outras que a gente não morre de tédio... rs.

Grande abraço.

Barone disse...

Boa!

martins111 disse...

Primeiramente ao adentrar nesta página reconheço seu valor e a importância de seu autor para a nobre causa do Senhor Jesus Cristo.
Dito isso, quero convidar você que está lendo estas minhas palavras, a prestar um pouco mais de atenção as revelações do Espírito Santo Verdadeiro em nossos dias.
Por se tratar de um assunto de interesse universal, pediria sua amável atenção, em uma breve, mais com certeza, produtiva visita ao nosso blog, onde estão depositadas Revelações do Senhor Jesus Cristo, para as quais peço encarecidamente que nos ajude a divulgar. Pois estamos vivenciando um memento muito sensível da palavra profética. Desde já suplico as bênçãos do Pai, do Filho e do Espírito Santo Verdadeiro sobre todo aquele que atender esse nosso chamado em nome do Senhor Jesus Cristo. Clique em martins111 - João Joaquim Martins. OU http://joaorevela.blogspot.com/