segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Súplica

Que o desastre venha e arranque de mim o poema súbito
Que ele se imponha à minha vontade
Seja em sangue, ruína ou tormenta
E me aranhe a pele estagnada de fartura

Que venha o horror a me despertar deste sono sublime
Que ele se erga diante de mim
Sorrindo o riso dos loucos
E me arranque desta inércia de morte

6 comentários:

Adriana Godoy disse...

Barone, lindíssmo e intenso poema. Bj

Lírica disse...

Quando Freud falou de 'pulsão de morte' quase ninguém engoliu... mas é isso aí que, intuitivamente, vc coloca aqui. A inércia acomoda e paraliza até a morte. E, parafraseando a bíblia, "a fartura e a falta do que fazer são a causa de ficarmos enfatuados e nos corrompermos". É muito difícil pra mim, admitir isto, mas as provações, os traumas, as perdas, os sacudidas da vida nos despertam, nos inspiram, nos sensibilizam, nos tornam mais maduros e sábios...
Pelo menos foi o que me bateu ao ler seu poema. Um tema que muito me intriga.

Joe_Brazuca disse...

sinal dos tempos...


profético, Barone !


abraço

Tiago Tenório disse...

Muito bom!! Mostra que intensidade não precisa de muita palavra. Curto e intenso.

Benny Franklin disse...

Quadrante norte de um poema bom!

Cíntia Thomé, Jornalista, Escritora e Poeta . - disse...

Barone

A imobilidade da alma
para a escrita
é porque ela está ocupada com a tristeza e isso corroi
algum lugar...
Parabens. ab