sábado, 6 de fevereiro de 2010

Om - poética




“in principio erat Verbum et Verbum
erat apud Deum et Deus erat Verbum”

Em nenhum sânscrito encontrou-se
o nome secreto de deus.

Buscou-se nas fendas da Terra.
em seus abismos mais remotos,

Em suas parnasianas geografias,
grutas rupestres, et coetera.

O eco perdido de outros vários,
vários nomes que nada significaram.

Buscou-se a iconografia de deus,
A única proveniente dos altos céus,

Subserviente de austero criador
criado por sua própria formosura.

admirar não compartilha criação
por ser transeunte a nomenclatura,

Entre a idéia e sua pura origem
apartada em profana imagem.

Por ser deus no severo significado,
criou tantos vários em desuso,
nomes, estes menos expressivos
o vento levava da boca onisciente

para as encostas compactuadas no
oriente, no ocidente, na falha pangeia.

Os nomes remanecentes se agitavam
nos cibórios, libertados nos sacrários
despedaçavam-se em bocas mudas.
bocas sintéticas. bocas noturnas.

boca. quanta boca. Meu Deus!
forjavam-se em dissimulada alcunha.

Tantos orfeus. Sarasvatis. argonautas.
suspensos na instituição humana.

Porém passou o vento ocidental
e expurgou todos os hereges

sublevados crismas religiosos.
Paganis Kyrie eleison.

Não se ouviu saltar do altíssimo
Trono os impropérios celestes
reinvindicados na terra.
“A mão de orfeu enorme destra”

Buscou dentro de si o secreto nome.
Ouviu o vento, percebeu-se.

O vento crismou em silêncio resplandente.
Barulhento. Febrio. Suplicante.

Era impronunciável. Invisível. Irresoluto.
Dentro do homem se conhecia

Sem a lógica intrépida,
Sem a verdade cartesiana.

Sentiu-se o Deus. Desvendou-se o poeta.
O universo se sabia completo.

Com deus e seu ex-secreto nome.
Kyrie eleison.
 
 
 

7 comentários:

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
evandro mezadri disse...

Bela poesia, filosófica e inteligente. Gostei muito.
Abraço e sucesso!

Se7e/5 disse...

Numa noite quente e cheia de tesão estava necessitada de um duro e quente "rolinho de carne" bem dentro da caverna húmida do amor, entrou num barzeco e, foda-se!!, que moço lindo, uma autêntica obra de arte, perfeito e, saltava ás vistas, lindo, lindo, lindo! Um Adônis único com todas as letrinhas do desejo e tentação. Aproximei daquela montanha de beleza e tentei a sorte: -Você quer..., -ainda nem tinha bem articulado a palavra seguinte e já aquele corpão de bronze suado me arrastava para fora do bar. Meio desmaiada de emoção, recobrei meus sentidos num quarto excelente de hotel. Vá livrando da roupa, disse o pedação, e eu livrei, ficando nuinha e brilhando num calor intenso entre minhas coxas que já se escancaravam para receber o “rolão duro de carne”. Quando o gatão começou a despir-se...

O restinho???, nã, nã... só lá no se7e/5.

Victor Meira disse...

Poemásso, Marcos.

Cíntia Thomé, Jornalista, Escritora e Poeta . - disse...

Nestes ultios dias...nada tão bom...bom mesmo li...

'....Tantos orfeus. Sarasvatis. argonautas.
suspensos na instituição humana.

Porém passou o vento ocidental
e expurgou todos os hereges...'


sensacional. ab

O mundo de Dani disse...

Ainda saberei quem e o pagáo..
Mas só pra nao deixar de comentar,
bela poesia

sempre marcos!

estarei por aqui.

assino por mim mesma!

Joe_Brazuca disse...

...e fez-se a luz !


excelente !