sábado, 3 de outubro de 2009

meus sudarios

caro tolo, esta tarde para tanta coisa
coisas como pedir desculpas aos martires
nao sei de que lado da cerca fico
na colonia dos leprosos
o unico morador diz temer o contagio
aqui de fora

palmilho os caminhos
estradas menos viajadas
agacho-me na beira dos rios
ja que todo rio e Jordao
toda escada sobe aos ceus
todo alimento e mana
toda pedra e monte Ararat
e todo vinho foi agua um dia

a carpideira sobre seu cavalo
mostra-me as cartas do seu taro
escolho uma carta
voce tem sido um bom guarda dos teus irmaos?
nao soube responder

analfabeto da minha face
concentro-me na leitura de sudarios
ate poder ler meu proprio rosto
e contar a minha estoria

ps: estou em sao paulo, meus caros, e o unico computador que tenho e um mac com teclado sem os acentos. prometo, assim que voltar ao rio, corrigir o texto. abracos a todos! e beijo nas criancas.

7 comentários:

Adriana Godoy disse...

Mesmo sem os acentos, um poema e tanto! Gostei de seu sudário.bj

Victor Meira disse...

Gostei também. Mas todo pano manchado é sudário? Lemos tantos... nem tantos dos outros, mas nossos mesmos. Dos outros um tanto também, que acabam por indicar os nossos.

Toda poesia é um pedaço de deus?

sanylara disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
l. rafael nolli disse...

Um belo poema, de um tom místico muito interessante. Abraços.

Barone disse...

"analfabeto da minha face
concentro-me na leitura de sudarios
ate poder ler meu proprio rosto
e contar a minha estoria"

Lindo poema meu velho.

Palatus disse...

Recado dado...mas que importam os acentos se me acento aqui e os outros lá e tu ai?,. vamos poesiterar!
abç
jr

Audemir Leuzinger disse...

obrigado, amigos. pelo carinho com meu poema e com a compreensão com este poeta que adora viajar e foi a são paulo
poemadia sempre.