quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O raio da bomba


O raio da bomba era trinta centímetros
E o raio de seu alcance efetivo sete metros
Contendo quatro mortos e onze feridos.
E ao redor deles, num círculo maior
De dor e tempo, estão espalhados dois hospitais
E um cemitério. Mas a rapariga,
Enterrada no lugar de onde veio,
A uns cem quilômetros daqui,
Aumenta bem o círculo.
E o homem solitário chorando essa morte
Nas províncias de uma terra do Mediterrâneo,
Inclui no círculo o mundo todo.
E vou omitir o prantear de órfãos
Que alcança o trono de Deus
E vai além, e amplia o círculo
Pro sem fim e pro sem Deus.


Yehuda Amichai

tradução: Millôr Fernandes

Um comentário:

Mai disse...

Olá, Márcia.
É um raio de destruição estúpida, o raio desse raio de bomba, né?
O que sentem e do que não se livram de ressintir esses homens feridos que, destruídos, ignoram o raio do raio da bomba.
Não conhecia o texto mas conheço contextos semelhantes.
Abraços,