terça-feira, 7 de julho de 2009

corpo ex.ame

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o corpo é corda roldana roda viva

{? dorme ! acorda ?}

esculpe na pele
dolores auroras cicatrizes

o corpo cópia
cópula anúncio fantasia
propaga fúteis enganos

apropriada propaganda
entre.tem os corpos nos shoppings
nas vitrines das acadêmicas lojas
com cápsulas de êxtase
vende saúde
a saúde das bactérias
das sojas
dos naturais conservantes
a saúde dos bacilos das criações da ciência

o corpo morde mastiga engole
engorda a indústria das vitaminas

o corpo geme torto e direito
transformista
modelo e manequim
global e platinado
maliciosamente oco
em deliciosa casca muscular
magro de verbo e carne

o corpo corporifica artifícios
anuncia o infinitamente novo
esconde o infinitamente precário

o corpo vive os efeitos do instantâneo
em busca de um pretenso futuro
sem defeitos

voa
pena que já não anda
sustenta
envergadura pequena
frágil
some
no canto da cela
no espaço da vida
encerra
em cena
ária decomposta

transita entre ondas e matéria
sai
entra em transe
em garrafa
o corpo gênio

corpo músculo sem sangue
campo de conflitos com receituários prontos
território das mais confusas emoções
quanto mais confusa menos vivida
quanto menos vivida mais desperdiçada

corpo índice e indício
princípio e precipício

(feixe de carbonos cruzados
atados às ancas do tempo)

há alma?

será que ainda sente o animal tão presente?

tão so.mente
a mente sistemática do tempo capital estabelece o corpo capital
produz acelerados enxames de símbolos comercializáveis
e corpos descartáveis
sem equivalências
que não se trocam com nada

e
esse é tão simplesmente um tempo
um dos nossos tempos
e
uma mente
ávida por corpos
ansiosa por se reproduzir








fernando cisco zappa
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8 comentários:

Cosmunicando disse...

corpoema
per
feito

Adriana disse...

Fernando Cisco Zappa,
esse e o nome da poesia-reflexiva...

jverdi disse...

Convido vc e seus leitores a conhecer meu blog e minhas idéias, e pq não alguns poemas lá inseridos.


http://www.julio-verdi.blogspot.com/

Grande Abraço


Júlio Verdi

Felipe da Costa Marques disse...

"(feixe de carbonos cruzados
atados às ancas do tempo)"

Tudo Fera, Muito Fera !

Adriana Godoy disse...

ié ié...gostei. bj

Hercília Fernandes disse...

[...]

E, no entanto, os corpos podem se apresentar belos jus ta mente por suas imperfeições...

Mais um grande insurgente, Fernando. Bravo!

Beijo :)
H.F.

Hercília Fernandes disse...

[...]

E, no entanto, os corpos podem se apresentar belos jus ta mente por suas imperfeições...

Mais um grande insurgente, Fernando. Bravo!

Beijo :)
H.F.

VFS disse...

sim. há alma!

agriolhada à matéria do corpo,
condenada a este tempo de aprendizagem.

apenas para perceber a diferença.
e que a sua pertença,
é no imemorial do tempo maior.

quando regressar à consciência do multiVerso.

Excelente poema!
(na minha humilde opinião)