segunda-feira, 20 de abril de 2009

Tempo

Me procuro nas rugas das mãos
Na linha da vida
(que nunca soube qual era)
Nos anéis
que envelhecem com os dedos

Me procuro
no reflexo da janela
fechada
No relógio de pulso
parado

Me procuro
Nos segundos
De um tempo
que despenca
e me falta

Me encontro
ajoelhada
em um canto de mim
rezando
em silêncio

implorando
para que a luz não venha
e eu não corra o risco
de me enxergar
velha

E que se espalhem
as cinzas
da minha juventude.



Julia Duarte.

10 comentários:

Anônimo disse...

Oi Julia somos companheiros de dia, li o peoma com bastante interesse, e gostei muito, tenho um poema com esse nome, poderia colocar no próximo post, uma pena que não tenha esperado mais um pouco e colocaria hoje, enfim, é isso

abs
Flávio

Adriana disse...

Tem um "quê" de solidão que a velhice parece trazer consigo o poema. triste, embora belo.

Renata de Aragão Lopes disse...

Eu conhecia esse seu poema.
E já o adorava...

Joe_Brazuca disse...

O seu Tempo é o de todos...
principalmente meu, por ter-me tocado sobremaneira...

Claro, sincero, profundo, intenso...

muito bom, Poetisa !
abraço

Assis de Mello disse...

Seu poema me tocou, Julia. Sua introspecção tem alma contagiosa; senti um vácuo no peito. Parabéns pela habilidae de compartilhar tão bem sensações íntimas que, provavelmente, todos temos em comum, mas que poucos conseguem expressar.
Um beijo,
Chico

Adriana Godoy disse...

Poema que escancara com poesia o tempo inexorável e que deixa marcas nem tão belas. Bonito.

Compulsão Diária disse...

Não vemos o tempo passar sobre nosso corpo. E a poeta ressignifica suas marcas com versos bem construídos.

Lúcia Gorini disse...

Júlia, teu poema me lembrou Cecília Meirelles que também vê as marcas do tempo nas mãos.
O passar do tempo acontece para todos nós, mas, talvez, os poetas consigam expressar mais sabiamente o seu medo da finitude e o seu desejo de imortalidade. Um belo poema! Parabéns. Lúcia.

Tenório disse...

Muito bom!

Felipe da Costa Marques disse...

seu texto vai além do infinito
onde o tempo é devagar e instigante

congratulações pelo sensível poema