quinta-feira, 16 de abril de 2009

SABOR

Bom
Tom
Com
Tão
Bom
De beijos
Dementes
Ardentes
Contentes
Constantes
Instantes
Permanentes
Nos abraços
Dos braços
Laços
Diversos
Confessos
No gosto
Posto
No rosto
De bombom
De tão bom.

TON

19 comentários:

jugioli disse...

Adorei vir conhecer esse espaço de poetas.

Obrigado por acompanhar o @dis-cursos.

Compulsão Diária disse...

Gostei. Ainda mais porque adivinhei o bombom do final.

l. rafael nolli disse...

Sinceramente não gostei. Um amontoado de palavras soltas, rimadas de forma quase infantil - talvez isso tenha sido a intenção, trabalhar com rimas simples e pobres; o que não muda em nada a minha opinião sobre o poema... também há o fato do poema estar falando de beijo com gosto de bombom, que me faz pensar em sentimentos infantis ou infanto juvenis - o que, novamente, pode ter sido a intenção do autor; o que em nada - mais uma vez - muda a minha opinião.

Maria Clara Pimenta disse...

Olá Ton,

seu poema é muito bom. Um bombom!

Beijos,
Maria Clara.

Victor Meira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Victor Meira disse...

Putz.
Não me encantou também, Ton.

Mas acontece, a poesia é corajosa.

Abração,
Victor.

TON disse...

Obrigado a todos pelos comentários.
Não quero aqui justificar ou explicar, mas essa, das coisas que escrevi, é uma das que mais gosto.
Estava profundamente apaixonado, e como criança, brinquei com as palavras que começaram a rimar sem forçar. Quando vi, em segundos tinha escrito um doce para o meu amor.

Compulsão Diária disse...

Ton, eu entendo vc. Pra mim é comum eu adorar um poema meu e os outros não. Em geral, quase totalidade, os que mais gosto são os menos elogiados. E os que menos gosto são os mais elogiados. Eu não sei explicar isso. Talvez, algum poeta aqui possa me dizer por que isso acontece.

Victor Meira disse...

Será que os leitores gostam dos mais dos versos medidos, metafóricos, imagéticos e matemáticos, enquanto os nossos preferidos são os impulsivos e carregados de intimidades, mas tropeçantes nas formas? Poesia é comunicação, e pretende não apenas ser uma expressão livre e introvertida do autor, mas tem que comunicar os sentimentos e fazer o leitor sentir por meio de palavras e da construção estética.

É curioso isso, Ton e Bê. Acho que as minhas poesias preferidas são as mais elogiadas. Tem umas que passam mais despercebidas do que eu esperava, mas eu sei bem quando eu tô de conversinha mole, e meus leitores também sacam, haha.

Vamo abrir debate aqui, acho legal.

Beijó pros dois.

Ton disse...

Para um ponto de partida, vou ser simplista: certa vez me dei conta de que escrevia poesias para três receptores: Eu, nós, elas. Explicando: eu - são versos que surgem como de um processo de meditação, sou eu falando comigo. Provavelmente ninguém vai captar as mesmas emoções que senti. NÒS - são versos que escrevi sob um processo crítico de visão social, humana e política, creio as mais inteligíveis. ELAS - são para as mulheres que amei e para a que eu amo, verdadeiras brincadeiras infantis para quem ama feito criança sem perguntar: Por que? Quando assim não as são, é por que o amor está se indo. É essa diversidade de gostos e sabores que incrementa a vida.

Renata de Aragão Lopes disse...

Debate produtivo!

Acho que todos, Ton, agimos de forma semelhante: ora escrevemos para nós mesmos, ora para alguém,
ora de forma totalmente impessoal.

Mas não creio que um poema agrade mais ou menos aos leitores, por pertencer a uma dessas três categorias. Poema de qualquer delas pode perfeitamente tocar o público.

O único "perigo", talvez, nos textos que nos têm como principais destinatários, esteja em o leitor não conseguir captar (e assim vivenciar) uma emoção particularmente nossa.

E daí, quando muito, fica-nos a dúvida: poderíamos tê-la descrito melhor?

Abraço a todos.

Tião Martins disse...

Muito interessante essa discussão aqui. Como redator de propaganda aprendi a escrever sob encomenda, com público-alvo definido e objetivos bem evidentes. O engraçado é que alguns dos anúncios de que mais gostei nem chegarm a ser aprovados pelos clientes, "morreram" na praia. Outros, apesar de não gostar deles, fizeram o maior "sucesso".
O curioso é que o mesmo acontece com os poemas. Qual a conclusão?

Melhor beber, cair e levantar... rsrsrsrsrsr

Felipe Vasconcelos disse...

Essa discussão me lembrou Goethe:

"Enquanto o poeta exprime apenas seus poucos sentimentos subjetivos, ainda não merece ser chamado de tal; mas assim que ele se apropria do mundo e o exprime, faz-se poeta. E então ele é inesgotável e pode ser sempre novo, ao contrário de uma natureza subjetiva, que logo esgota sua pequena interioridade e se consome no maneirismo."

Apesar de concordar, acho a frase um pouco radical. Acredito que o poeta possa chegar ao mundo através da sua subjetividade; o crucial é não ficar no meio do caminho. O drama, no entanto, é aquilatar se a fronteira foi ultrapassada. Eu, quando leio minhas coisas, fico sem a menor idéia.

Abraços pra todos!

l. rafael nolli disse...

Boa a discussão. Acho que a questão foi bem tratado por Tolstoi: "Se queres ser universal começa por pintar a tua aldeia” Taí uma regra básica até mesmo das aulas de redação do secundário: escrever sobre o que você domina, sobre o que você vive, presencie, etc. O subjetivismo, como problema que eu vejo, é quando ele não comunica, nisso o Victor foi preciso, poesia é comunicação - ainda que muitas vezes seja anti-poesia em seu propósito. O mesmo disse Pessoa - grosso modo - ao dizer que só é cosmopolita quando fala de sua aldeia. Temos que centrar nisso, acredito sinceramente, temendo sempre e lutando para evitar o abstrato, a imersão total em signos particulares em demasia. Valeu a discussão. Lenha na figueira.

Felipe Vasconcelos disse...

Também vou por aí, Rafael.

Mas não esqueçamos que tanto pintar sua aldeia quanto o mundo é pintar o "objetivo", é pintar aquilo que existe independente do pensamento, quer dizer, é distanciar-se do subjetivo, da experiência individual.

No entanto, tanto objetiva quanto subjetivamente, concordo que só podemos alcançar o universal através de nossa própria experiência, e é aí que eu defendo a subjetividade como um caminho possível ao outro (mesmo que isso possa parecer, a princípio, um paradoxo). O poema pode ser essa ponte entre eu e o outro ou, melhor dizendo, o lugar desse eu universal.

Abração!

Joe_Brazuca disse...

Ton...
Apesar de toda teoria
e seus teóricos
demais eufóricos
apesar de toda boa discussão
e os contundentes de plantão
sua poesia transpira alegria
com alguma boa alegoria
e basta um pouco mais de acuidade
pra sentir toda essa felicidade...

(rs...)

Muito bom o bombom do Ton !

abraço

TON disse...

Grande Brazuca!

Recepcionastes a brincadeira deliciosa que fiz ao acaso. Isto foi em 1994. Estava eu num sábado à tarde, numa ressaca apoteótica, completamente apaixonado por quem não devia, deitado no sofá, me refazendo comendo um bombom, escutando o grande Síndico Tim Maia cantando Dorival .. "não tem solução, este novo amor... e eu que esperava, nunca mais amar ..."

Simples assim.

Abraço,

Ton

Procusto disse...

CONCLUSÃO


Os impactos de amor não são poesia
(tentaram ser: aspiração noturna).
A memória infantil e o outono pobre
vazam no verso de nossa urna diurna.

Que é poesia, o belo? Não é poesia,
e o que não é poesia não tem fala.
Nem o mistério em si nem velhos nomes
poesia são: coxa, fúria, cabala.

Então, desanimamos. Adeus, tudo!
A mala pronta, o corpo desprendido,
resta a alegria de estar só, e mudo.

De que se formam nossos poemas? Onde?
Que sonho envenenado lhes responde,
se o poeta é um ressentido, e o mais são nuvens?


Carlos Drummond de Andrade

Felipe da Costa Marques disse...

Um bombom de bom tom

ou o poema recheio

congratulações