domingo, 12 de abril de 2009

Ocarina



( Para Leila Miccolis )


O sopro morno
nas entranhas
da argila
dura

o enlevo crescente

os dedos leves
num gentil prelúdio
de um dedilhar de mulher

o calor das mãos

tudo
reinventa o segredo das conchas


Algo se avulta
no oco

o novo reaviva o velho

e o som leve do hálito
partido
rompe o hímem do tempo
e crispa a pele do silêncio

- libélulas, pardais
rebrotam
do horizonte

da melodia
afloram
os presságios
Poema de Chico Mello

8 comentários:

Adriana Godoy disse...

Chico Mello sempre surpreende pela qualidade de seus textos poéticos. Esse é mais um que mostra excelência em todos os aspectos. O romper da vida, o nascer do novo, o tempo, a beleza e a força da natureza. A melodia suave que nos envolve. Grande, Chico. Beijo.

Guto Leite disse...

Também gostei muito, é consonante ao timbre delicado das ocarinas, cresce gradualmente em sensibilidade e grandeza dos versos! Gostei muito!

sidnei olívio disse...

Os segredos das conchas é o mistério do mar. Grande poema Chico, um vôo razante das odonatas nas águas da poesia.

Benny Franklin disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Benny Franklin disse...

Poema exuberante que goza genial marca de um dos mais completos poetas brasileiros.

De prima, Chico!

Compulsão Diária disse...

Grande Chico! Com essa musa, Leila, só podia sair um belo poema. Melodia, vôos, asas, tudo é leve feito a prórpia!

Tenório disse...

Confesso que às vezes me falta sensibilidade para poemas sensoriais, que se erguem mais pelas imagens.

E é por isso que esse poema me deixou boquiaberto. Alheio a minha vontade, me absorveu totalmente e achei uma coisa mais linda de olhar, de se olhar, de se olhar.

Quanta beleza!! Genial.

Assis de Mello disse...

Obrigado, pessoal, pelos comentários. òtimo saber que gostaram. Foi uma delícia escrevê-lo.
Barone, obrigado por postá-lo para mim. Não fui capaz de programar a postagem e, como eu estaria em viagem no dia 12, restou-me recorrer à sua boa vontade.
Chico