quarta-feira, 25 de março de 2009



Mãos de meninos

em esquinas e becos
tem mãos de meninos
que roubam
que matam
que morrem

na pele, no osso
o medo, o terror

e na noite vazia
tem nas mãos de meninos
pedra, punhal

ou serão
gotas de sonhos
que não germinaram

com os sentidos bloqueados
entre lama e fantasmas
o que tem no abandono
é o belo em carrancas

que traduz o escuro
o avesso da vida
corroendo a alma
com total dissabor

e nas mãos de meninos:
pedaços de nada
a bandeira da dor

Cláudia Gonçalves

6 comentários:

Joe_Brazuca disse...


Poesia exata, contundente e sutil, "comme il faut" !
Triste sina essa de nossos meninos todos e suas mãos desocupadas de lápis, papel e alfabeto !

Bravo, Poetisa !
abraço
Joe

Adriana disse...

A forma como dispôs os versos conduz ao fio nada tênue da vida desses meninos tão perdidos, com as mãos segurando armas e não sonhos. Bonito seu poema.

Assis de Mello disse...

Lindo poema, Claudinha !!
Adultos com os sensórios embotados produzem meninos assim. E esses meninos geram outros meninos muito cedo na vida...
Como haver lirismo num mundo desses ?
Beijooo,
Chico

Compulsão Diária disse...

Mãos de meninos em poema de mulher.
Quem são esses meninos?
Serão, ainda, sujeitos traduzíveis?

L. Rafael Nolli disse...

Muito bom, gostei.

Benny Franklin disse...

Poema de prima!