terça-feira, 23 de março de 2010



LEVO VIDA FRUGAL


Levo vida frugal
mas escondido eu sonho
Meus olhos ninguém lê
nos óculos escondo
a emoção que sufoco e ninguém vê
Minha vida é frugal
amor, amante, amigos
cultivo moderadamente
Vou sem pressa ao trabalho
ao teatro, ao jantar
No cinema me escondo
e na praia me vejo
aos milhões, aos milhares
em frugais diversões
Levo vida frugal
mas, a noite, o demônio
em meus tímpanos toca
seu rude tambor
E no escuro do quarto
eu sufoco, eu sublimo
eu, sublime, me acendo
e ascendendo me arrasto nos pés do divino
e a paixão, a luxúria, os cabelos e os ventos
e as razões que não houve
e a loucura que eu, pobre, matei...
E dançamos rugindo
essa dança do espelho
E os abortos (meus sonhos)
dançam leves comigo
pressentindo a manhã
pois no amargo do sol
o meu show se acabou
Quando o dia começa
ponho a máscara
e vou

Imagem tirada de quadro da autora

4 comentários:

Lírica disse...

Frugal, ritual, passional, confessional...

L. Rafael Nolli disse...

Helena, estava com saudade de sua escrita. Belo esse poema. E que imagem bacana! Abraços!

Daisy Melo disse...

MARAVILHA!!!!!! Como sempre. beijos

Helena disse...

Obrigada, Lírica, Nolli e minha querida amiga Day. Estou numa fase difícil, nem está dando para curtir vocês como eu gostaria

grande beijo,

Helena