segunda-feira, 13 de julho de 2009

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Uma Fábula Patagã
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Revi teus olhos
e o vasto caminho das manadas
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Recordei tua mão em riste
presenciei o vulto da viscacha na noite de Três Cerros
e os fósseis abissais a escamar da cordilheira
pra forrarem o fundo da estepe
------------------------------que precede
------------------------------o cabo
------------------------------do desengano
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Havia barcos no estreito e uma lua no céu
; Calafate dormia feito um cão na praça fria
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Ouvi o regougo dos zorrillos
e o eco das aves que piaram de dia
Maldisse o vento
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Ao vislumbrar Ushuaya, onde estavas
desafiei todas as rajadas
que poderiam marejar teus olhos
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O amanhecer trouxe uma amplidão
------------------------------um silêncio
------------------------------e uma ausência
------------------------------de chão

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(Publicado com um dia de atraso
por motivo de viagem)
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5 comentários:

sidnei olívio disse...

Atrasado ou não, um poema da hora. Belo, como sempre. Abraço.

Adriana Godoy disse...

Assis, que beleza.
"O amanhecer trouxe uma amplidão
um silêncio
e uma ausência
de chão"
O arremate perfeito para um poema de primeiríssima qualidade. Beijo.

L. Rafael Nolli disse...

Como sempre, muito bom!

Benny Franklin disse...

Poema para ser lido - e decorado!
Muito bom!

BAR DO BARDO disse...

Assis,

você está a alguns metros do chão e dentro dele. Como pode?

Muito bom.