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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

No dia que o Diabo olhar para mim.

Mudo
Com tudo que carrego no bolso:
um par de luvas,
um caderno e dois terços.

Um terço é para pedir
o outro, para agradecer.
De joelhos
em cima da capa-dura.

Quando as luvas
Abraçam os dedos
Prorrogo
as marcas das digitais

Pelo menos
Até que as dobradiças façam reverência
As portas se abram
E o tapete se alongue no chão

Quero um jardim
Cheio de plantas
E sombras

Uma carruagem
Cheia de cavalos
E convidados.

Quero servos
Sem cérebros
E dentes

Uma dama de honra
Com a bandeja na extensão do braço
Oferecendo-me

A minha coroa.



Julia Duarte.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Cor-de-rosa.

Engoliu a platéia
Com olhos descortinados

De porcelana
Se fizeram sorrisos
Tímidos

Lá do alto
Girava outra
Em velocidade cortante

Que confundia o ar
e soprava
os fios de cabelos soltos

Os passos
eram marcados
feito cicatriz

O corpo
abraçava a roupa
colada

E com as mãos
ela marcava o tempo
da própria dança

Eu ensaiava
palmas
rápidas e fortes

Mas desistia
quando o palco
era maltratado

Pela ponta
dos seus pés
doloridos

Todos
se entregavam às suas graças
sem a minha permissão

Ela era só minha,
a bailarina.




Julia Duarte.