Mudo
Com tudo que carrego no bolso:
um par de luvas,
um caderno e dois terços.
Um terço é para pedir
o outro, para agradecer.
De joelhos
em cima da capa-dura.
Quando as luvas
Abraçam os dedos
Prorrogo
as marcas das digitais
Pelo menos
Até que as dobradiças façam reverência
As portas se abram
E o tapete se alongue no chão
Quero um jardim
Cheio de plantas
E sombras
Uma carruagem
Cheia de cavalos
E convidados.
Quero servos
Sem cérebros
E dentes
Uma dama de honra
Com a bandeja na extensão do braço
Oferecendo-me
A minha coroa.
Julia Duarte.
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terça-feira, 20 de janeiro de 2009
sábado, 20 de dezembro de 2008
Cor-de-rosa.
Engoliu a platéia
Com olhos descortinados
De porcelana
Se fizeram sorrisos
Tímidos
Lá do alto
Girava outra
Em velocidade cortante
Que confundia o ar
e soprava
os fios de cabelos soltos
Os passos
eram marcados
feito cicatriz
O corpo
abraçava a roupa
colada
E com as mãos
ela marcava o tempo
da própria dança
Eu ensaiava
palmas
rápidas e fortes
Mas desistia
quando o palco
era maltratado
Pela ponta
dos seus pés
doloridos
Todos
se entregavam às suas graças
sem a minha permissão
Ela era só minha,
a bailarina.
Julia Duarte.
Com olhos descortinados
De porcelana
Se fizeram sorrisos
Tímidos
Lá do alto
Girava outra
Em velocidade cortante
Que confundia o ar
e soprava
os fios de cabelos soltos
Os passos
eram marcados
feito cicatriz
O corpo
abraçava a roupa
colada
E com as mãos
ela marcava o tempo
da própria dança
Eu ensaiava
palmas
rápidas e fortes
Mas desistia
quando o palco
era maltratado
Pela ponta
dos seus pés
doloridos
Todos
se entregavam às suas graças
sem a minha permissão
Ela era só minha,
a bailarina.
Julia Duarte.
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