jogava isca
pro robalo
pro linguado
pra tainha
só não mudava a ladainha.
hfernandes,
22 mai. 2013
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sexta-feira, 24 de maio de 2013
sábado, 23 de junho de 2012
Mar vagabundo
"O mundo é grande, mas em nós ele é profundo como o mar"
(Rilke).
Há um mar em mim.
Um mar de águas revoltas.
Nuvens pesadas circulam passageiras
Areias, em fileiras, atiram-me ao fundo
quase sempre certeiras.
Há um mar em mim
E eu tantas vezes nada entendi:
da cor que me veste olhos d'água
e do vento que me sopra à maré baixa.
Pois há um mar em mim
E eu não tive sequer escolhas
Não pude dizer (ao mar)
que parasse com esses cantos sombrios
Nem que me deixasse à não-mercê de tais desafios.
Por que esse mar é fora da lei
Não sabe o que é sorte, nem teme solidez
Tudo sente, nada sofre e me move à embriaguês.
Por que esse mar é poço sem fundo
Quanto mais arrasta, mais revira tão doce mundo
Secando-me as águas claras em tons cinza profundos.
Isso tudo porque esse mar é vagabundo...
Hercília Fernandes,
In Maria Clara: uniVersos
femininos
(LivroPronto, 2010).
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Hercília Fernandes
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Da história vista de baixo
não convêm meias
às meias
verdades
deitemos assim...
deveria ser mais politizada...
como historicizar-se engajada
se factualmente retalha-se
à ideia de amor?
lutas de classe, gênero, cor...
renderam-se aos seus declínios
não consegue mover-se
palmo acima, região do umbigo
nem abaixo...
*Arte localizada aqui.
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Hercília Fernandes
sexta-feira, 24 de junho de 2011
quando turvas
que tu prefiras ficcional
enquanto aglomero tecidos
: olhos e lábios
isso gera voos à nau frágil
além de certa tendência
em apreender aparências
quando turvas realidades
*Imagem localizada aqui.
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Hercília Fernandes
terça-feira, 24 de maio de 2011
sedento
"sabe lá...
o que é morrer de sede em frente ao mar?
sabe lá, sabe lá..."
Djavan,
in fragmento de Esquinas.
o que incomoda
não é a tua falta
é teu excesso...
quando minha mudez
acomoda melhor palavras
isso é padecer na praia
repleto de mar
hercília fernandes
*Imagem disponível no blog Portugal em Brasil.
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domingo, 24 de abril de 2011
segunda fiação
O mal não é criado por nós nem pelos outros,
nasce do tecido que fiamos entre nós
e que nos sufoca.
Merleau-Ponty
de tudo o que dissemos
fiou-se o nada
vastidão sem tamanho
:
olhos, cem pálpebras
hercília fernandes
*Arte disponível em Ideias Bizarras.
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Hercília Fernandes
quinta-feira, 24 de março de 2011
mata douro
sinto-me abatida
como se curvasse
íntimas
sólidas pedras
de silêncios
que me falam
etérea
ora híbrida,
nuvem passa indigesta!
intrínseca carne
despida a leões
mata douro
açoite
soube à coice
*Imagem disponível no blog Onde nasce a poesia.
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Hercília Fernandes
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
borrões de rio
estou cansada
da ideia de você em mim
:
dessa ausência de vida
lavrei as páginas
com olhos borrados
por lástimas
chuva de nós
nada deixei no lugar
tudo se transforma
no borrão de rio
mesmo assim, assim, voo
há/a saudade
*Imagem disponível aqui.
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Hercília Fernandes
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
tamanho
Falta mais para tingir o pano
Falta faz um rio sangrando
Falta traz paixão ou engano
Falta [me] apraz:
o coração é tamanho!
Talvez ainda haja o que dizer:
um pássaro uma flor
uma pedra uma dor
uma canção um amor...
As coisas se transformam
Se pensando ando em você
Só o sentimento permanece intacto
:
derradeiro
*Imagem localizada aqui.
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Hercília Fernandes
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
verbo liga ação
falam de natal
do caos das vitrines
das prendas das crendices
de humanização
falo de mim
de você
de você em mim
das luas que não demos por conta...
de atrair perdidos e achados
algo que se pusesse no bolso
ou na ponta do cigarro
mas falta verbo liga ação
sua camisa, meus lábios
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eu-tu,
Hercília Fernandes
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
rósea como branca face amada
Ela disse:
estou de férias em casa
embora na verdade estejamos no mar
então eu a peguei olhando do espelho
e a forcei a concordar,
dizendo:
você deve ser a sereia
Que levou Netuno para um passeio
Mas ela sorriu para mim tão tristemente
que minha raiva passou imediatamente.
in fragmento de "A Whiter Shade Of Pale",
interpretação de Procol Harum.
Arte: Estudo de mulher (Rodolfo Amoedo)
O tempo parece paradoxal...
mas sabe também amigo, assim sinta-o.
O destino não comanda o pertencimento.
Há algo mais surreal, fantasmagórico,
posto estranhamento.
Entenda: ela é uma das virgens
escolhida para guardar o templo.
Manter acesa a chama dos sonhos
com a palidez dos sentimentos.
Maktub, assim está escrito!...
Há enorme beleza no gesto
Talvez a duas ou três décadas
vocês possam bailar essa canção.
O fandango que as mãos tonta-
mente aplaudiram pelo salão
Então verá sua face empalidecer
tornar-se ainda mais translúcida.
Certamente, você se inquietará
Atenderá aos cantos das sereias
no curso das marés em que faz
brilhar rios de arrecifes.
Porém, à Sherazade, ela bordará
fios d’ouro para que a narrativa
jamais o desmotive.
Assim estava escrito: não crê?
a chama permanecerá acesa.
E dar-se-á, enfim, o mergulho
às águas que, translúcidas,
afugentarão o oceano.
Sinta: a cama encontra-se posta.
E ela é rósea como branca a face
de sua amada.
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