quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Iminente

“Quando a vista ficar confundida, e a lua se eclipsar,
e o sol e a lua se unirem, nesse dia o homem gritará:
para onde é que se pode fugir? Oh, não haverá refúgio!”
Surata 75
 
Nos tempos de minha infância alimentava, à noite, uma náusea sem nome. Achava em silêncio – não havia palavras suficientes guardadas em mim para desfraldar esse sentimento – que algo de inevitável estava próximo de se consolidar.
            Algo ruim.
 
Não sabia dizer se achava que o escuro do quarto iria espalhar-se sobre o mundo e derramar seu pavor rastejante sobre as coisas coloridas da vida.
 Nem se seria escuro esse caos.
 
Não sabia dizer se esse fim estava sendo urgido numa sala celeste, onde os deuses discutiam com seus investidores um modo viável de esvaziar o conteúdo do cálice e por fim à criação.
Tampouco sabia se os deuses teriam algo a ver com isso.
 
Não sabia dizer se esse desconforto – que me parecia em avançado estágio de consolidação – viajava sentado na cauda de algum meteoro lançado a milhões de anos,
impelido a cruzar o universo para nos abalroar como se fôssemos um navio de H. Mellvile.
 
Não sabia, sentado em meu medo infantil, o que seria essa certeza perversa, tão nítida no apelo  das árvores. O que seria esse conhecimento explícito em mim como um amor inflamado? O que seria essa dor que vinha escondido no prato de comida e tirava o apetite? Que vinha entrelaçado na fala dos desenhos animados e enfartava o riso? Onde brotava, num peito pequeno de menino, uma água tão escura? Quando ela rompera o tecido e começara a escorrer pelo corpo
 
Fôra antes de me ver refletido mais vezes
em fundos de privadas do que em espelhos?
 
Antes de Rimbaud me seduzir para a venda
como escravo sexual aos asseclas do rei de Choa?
 
Fôra antes de cantar a Internacional, as quartas,
ao lado de pederastas, alcoólatras, poetas e açougueiros
 
que ainda acreditavam em Deus aos domingos?
 
Quando compreendi que não era o que se escondia no guarda-roupa que me causava aquele mal, mas a certeza de que o mundo – não apenas eu e as minhas fraquezas – acabaria?

Então aguardei a sua consolidação em noites de trovões, em dias de discussão adulta             – que traçavam o rumo de suas vidas conjugais e a permanência do eu no limiar das coisas alegres
 
Então o aguardei impregnando-o de imagens retiradas dos livros de gravuras. Na fala da gente humilde, sempre a rever na cozinha seus temores e suas certezas catastróficas,
complementei minha visão tingindo-a de sangue humano – substituindo árvores tombadas por homens tombados.
 
Não via no rosto das pessoas esse medo que me tirava o sono. Não via em seus gestos de prazer uma tentativa reconfortante de aproveitamento imediato – o fim estava próximo, algo me dizia em forma de pânico pediátrico
 
 – e haveria mortes,
talvez fogo nas ruas e no cabelo das mulheres
 
– e haveria dor no coração
e nos braços ensangüentados das enfermeiras.
 
Não via em seus gestos de ódio uma revolta consciente,
um ato de reprovação:

o fim do mundo talvez caminhasse nas ruas
escolhendo a dedo uma forma de melhor efetuar a
sua desgraça
 
– e haveria confusão:
talvez mães chorando crianças despedaçadas,
e haveria desespero nos olhos do menino sem mãe para
                                                                      consolá-lo.
 
Não via no choro das mulheres – tão evidentes – nem na lágrima seca que rolava quando as crianças não estavam um choro ou uma lágrima a respeito da verdade que a todo instante me redimia a um único pensamento. Talvez o fim já houvesse sido deflagrado: lento e preciso, se espalhando pelo ar, como a sombra de uma nuvem envenenada, apodrecendo sobre as cidades.
Nada se avistava no tempo, ou nas ruas.
Aguardar, essa era a palavra de ordem.
  
 *

“E para cada dia bastará apenas o seu mal”

Mateus 6:25-34

domingo, 8 de dezembro de 2013

DECORAÇÕES ou DE CORAÇÕES ENCOSTADOS

enquanto ela partia | mesmo querendo voltar aos braços dele | ele apenas sorria | com aquele sorriso que ela bem conhecia. | era um sorrisinho danado de mineiro | daqueles sorrisos que escorrem do lado esquerdo dos lábios | e que fazem brotar um cheiro de desejo e sensualidade no ar. | depois de perceber que ela percebera seu sorriso no canto dos lábios deliciosamente sensuais | ele apenas disse | sem olhar pra canto algum | apenas na direção dos olhos dela: | "somente um coração é capaz de entender outro coração". | pode parecer piegas | e é | mais do que parece | é da essência da vida que estamos tratando. | é do combustível da vida que falam os sorrisos e o amar sem medos. | ele abrira sua alma ao sorrir nos olhos brilhantes da musa. | sem direito a setas na mesma direção | os dois seguiram amando... [CléberCamargoRodrigues]

domingo, 24 de novembro de 2013

Comedìa


I - Inferno



Nenhuma pista ou clareira 
para tentar a aterrissagem
e, ademais, 
o trem de pouso emperrado

Retornar ao lar
– oh estações, oh castelos –
e ninguém ter dado pela sua falta


II - Purgatório

A TV ligada para ninguém
– em consultórios ortopédicos –
o cheiro do tédio das atendentes
& o clamor dos telefones

A fila de mulheres pensativas
– nos pronto-socorros –
as crianças tossindo em seus colos
o senhor debruçado sobre as rugas

A ante-sala dos CTI’s
as antecâmaras das policlínicas
os  azulejos brancos, o ventilador de teto
– nas salas de espera dos centros de radiologia –

E nos demais lugares onde a morte fareja


III - Paraíso

Praticamente nada a fazer senão para o pobre agente do Centro de Controle de Pragas. A nuvem de veneno borrifada sobre as macieiras rouba o brilho das asas dos anjos e embaça o aço de suas espadas. De manhã, o batalhão de arcanjos em ordem unida, treinando para a possível batalha. E é sempre manhã, aonde quer que se vá. Longa manhã de profunda ressaca. Os que leram estão de acordo, é o mesmo paraíso descrito por Dante. Um saco! 



*

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

QUANDO O CORAÇÃO AMANHECE ARRANHANDO A TERNURA DO DESEJO

...coisa de gente sem frescuras | cê qui sabe | mas | ternura cura | faz remelexo na textura da vida | mesmo na vida da gente que anda correndo de um lado pra outro | sem tempo pra apalpar o sorriso impreciso do silêncio das horas.

olhar desejante | eu revejo um dedim de prosa que não tirei | eu revejo uma brincadeira deliciosa que deixei escapar | eu revejo amigos 'panhando' manga maranhão no quintal da casa de minha vó materna. 


nesta tresloucada correria | olhar desejante | eu revejo a força índia.negra.brasileira de minha vó paterna que nunca vi em carne e osso. 


olhar desejante | eu revejo todas as mulheres | amigas irmãs imãs parceiras companheiras queridas mães filhas musas | amadas | que são fadas a encantar minha estrada | a alargar meus sorrisos | a fazer de meu coração uma bússola | bálsamos que são | estrelas a guiar | norte de vida e viver inteiros. 


olhar desejante | miro a sina | a vivência | o mundo além da esquina.


olhar desejante | sigo, amando... 


[CléberCamargoRodrigues]

foto (c) Simão Kursselldorff

terça-feira, 5 de novembro de 2013

QUESTÃO DE POESIA


adoro saborear a morte
com excesso de requinte
dizendo-o quando seja
um momento esperado

eu não espero nada
nem quero saber
acima de tudo
fico meio mudo

encaro o mundo
com uma surpresa
de defunto ao fundo
das palavras olhando

uma questão de poesia?
cada interpretação alia
uma verdade própria
do dia ou da noite

saio a andar
sobre a estranheza
desejando o regresso
para poder beber um copo

Acabo De Recordar

(tinha este título
para poder declamar
de castigo, uma vez, duas;

nem uma, calhou assim)

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Hefesto/Vulcano/


Era um deus, no entanto.
Porém, não o poupavam. “Coxo Coxo
         Coxo”
sussurravam pelas ruas.

Nos inferninhos e na boca do lixo
o consenso era geral:
“feio como um beliscão no cu”
“a própria mãe reconhece a merda que fez”
& demais despautérios.

Entre os seus, em língua grega
– ou naquela que lá se fala
& tampouco compreendemos –
a fama de corno corria aos quatro cantos:

“vencido por um amor de espuma”
“enfeitiçado pelos olhos de cigana oblíqua...”
& coisas do tipo.

Distraído, no cômodo do fundo,
iluminado pelo fogo da fornalha
ele nada ouvia
senão o som do martelo malhando o metal.












terça-feira, 8 de outubro de 2013

era de amor

era de amor que a gente falava | quando em profundo silêncio olhamos | um no olho do outro | olhando bem fundo | como se procurássemos ver a calma de nossas almas. | era de amor que falávamos | quando nossos sorrisos imprecisos escorreram | nus | livres e leves | no canto de nossas bocas. | era de amor que nós falamos | quando soltamos nossos melhores suspiros | deixando aflorar sem medos todos os arrepios. | era de amor que eu e ela falamos quando nossos corações saíram em disparada | sem saber o fim da estrada. | é de amor a essência de cada gota de ternura que escorria | enquanto falávamos. | é com amor que temperamos os beijos mais ardentes | o tesão mais intenso | a saudade mais deliciosa. | é mais | muito mais... [CléberCamargoRodrigues]



sábado, 28 de setembro de 2013

A leoa



Leoa , minha leoa...

Faça de mim o que quiseres...
Rasga-me a roupa de perto, de longe
de onde estiveres...
Unta-me o corpo com teu mel
e entra em meu coração,
como uma savana em aluvião
Ataca-me e venha tirar-me o véu,
joga-me longe, perdido, ao léu,
mas que seja perto do teu céu...
Rouba-me a alma,
mas beija-me com calma
Arranha-me às garras,
mas alija-me às amarras
do teu sedento amar...
Olha-me, fita-me de tão dentro
que me desvie o centro
como corcel fora, cativo ao vento...
Faça de minhas mãos, a tua palma
de meu corpo , a tua fauna
E por fim, leva-me em tua tez
tatuado com meu sangue,
o meu próprio,
como teu alimento, abatida rês
assim verás como me tens
e o que comigo, fez...


Leoa, minha leoa
ruja o teu rugido
faça do teu amor, um alarido
assim é, como meu coração soa...

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Poemas

Série de poemas na Revista Diversos Afins.
Ave Elefante Aepyornis Maximus 
http://diversosafins.com.br/?p=5622

domingo, 8 de setembro de 2013

.........
......
.
......
.........




Participação no Cabaré Soçaite - Festa de Sensualidade

Meu poema MODOS foi um dos escolhidos para ser transmitido pelo telão da festa de sensualidade CABARÉ SOÇAITE de Ricardo Kelmer.

Quando estava lá, resolvi fazer uma foto sensual e participar do

CONCURSO FOTO-CURTIÇÃO 24.08.13


Se gostarem, votem em mim, rsrrssss

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

RESPOSTA AO VENTO




Fotografia by Dariusz Klimczack


[ "Só de sentir o vento passar, já valeu a pena viver."
Fernando Pessoa ]


Porque

sinto
o perfume das fomes constipadas no bolso de cada olhar
embrutecido –

Porque

irei além da canção do silêncio
em busca do ar que respira
a brevidade –

Porque

meu tempo pode medir-se
na paginação do lixo
preso

no átrio
da morte oferecida –

Porque

gangrenados estão os abismos deglutidos
das cruzes sem preces

como nunca tal
se vira –

Porque

sou lágrimas ao altar dos mortos
agora já vivos

para sempre.

domingo, 25 de agosto de 2013

pi



Ao meu lado, segue minh'alma.
Do lado do corpo.
Fora.
E observa-me, o espírito.
Tangencia-me em 3,1416.
Segue-me.
Anja-me.Pastora-me.
Trans-lúmina-essência,
Ímã de mim mesmo, assombra-me.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

na sina dos sinais



é o tempo quem diz:
é preciso deixar o coração na palma da alma
é preciso esquecer de apressar a calma.


na hora h
sussurrar um monte de segredos
transformar em atos, todos os teus desejos...


[CléberCamargoRodrigues]

quarta-feira, 24 de julho de 2013

PROVEDOR-MOR DE DEFUNTOS E AUSENTES

1. Dinamene! Dinamene!

pouco importa o que move os cardumes
ou o que torna cego os peixes exilados
       nas cavernas

tudo se resume – questão primordial –
no que teria sido se o Mekong tivesse
engolido aquele calhamaço

2. Entre gente remota edificaram

, ou outra língua surgisse da espada & do fogo e nos entrasse pela boca, após ser roubada por algum Prometeu – por exemplo. Falar Falar Falar até que as chagas da garganta cicatrizassem & parassem de doer

, ou outro messias surgisse no lugar desse – ó pai por que me... Também velho & cego, como convém (um olho vazado em Ceuta) (Para que tantos messias, meu deus?) 

ou nenhum messias – e fôssemos mudos como as pedras

3. D. Sebastião

acaso o Mekong tivesse
engolido aquele calhamaço
ou o poeta tivesse sido vencido pelo nado

talvez em um laboratório
ou no canto d’algum pássaro
ou de empréstimo de outro reino
uma nova língua até nós caminhasse
com seu rastro de pólvora e sangue

quem sabe outro poeta se erguesse
– em uma manhã de nevoeiro –
no caso do seu fracasso?





 *

segunda-feira, 8 de julho de 2013

BREVE ESPAÇO ENTRE O DELÍRIO E O SONHO QUE MOVE MOINHOS

 -

eu não deixaria de olhar pra onde ela parasse | isto ela sabia. | parou | inteira | deixou escorrer um misto de mistério e vontade. | num simples gesto | ela começou a retirar o colete à prova de abraços. | era uma explosão de sensualidade | exalando tal qual o perfume da própria pele | antevendo uma gota de êxtase | a escorrer sorrindo. | o barulho do velcro | do colete à prova de abraços se abrindo | encheu aquele instante que insistira ser uma dose de silêncio partido ao meio. | olhei aquilo | aquela coisa toda em que ela se transformava quando desvestia o traje de gala. | olhei | com meu melhor olhar desejante | olhei e imaginei tantas outras coisas | daquelas coisas que imagina quem quer abreviar o tempo | entre a loucura e a razão dos sentidos. | era pra ser assim e assim era | uma viagem de ida | sem passagens de volta. | quando vi já havia perdido a conta de quantos eram os abraços | sussurros | e beijos seguidos de arrepios. | quando dei por mim | o colete à prova de abraços que ela ousara usar | ganhara o chão da rua | naquela tarde quente. | numa rua madrilenha | almas e corpos ficaram deliciosamente nus | ardendo na felicidade do reencontro | na magia que é capaz de devolver | sem medos | o brilho dos sonhos que é de cada um | que é pra todo dia... [CléberCamargoRodrigues]

sexta-feira, 5 de julho de 2013

ELOS DIALOGANTES

resta pesar a leveza na aresta
da geometria dum verso
ao qual se acrescenta outro
criando elos dialogantes
esquadria dum pentagrama

as cores vão colorindo
suas formas vão rodando
multiplicando a singularidade

o equilíbrio, um só centro .

GASES REBELDES



Imagem by Noell Oszvald


I

Por um Cálice 
cheio
de ouro

e cobiça

o Homem inumano
aniquila outro
Homem

na mesma proporção
que um
Vulcão
ama a liberdade dos gases rebeldes.

II

Cada rumo sem trajeto não lhe serve
como
explosão
de
consciência,

é cerne desertado da Aurora
que já lhe

escapou das mãos
puídas;

é colapso energizado.

III

Qual a melhor
Cicuta [viés articulado]
para sofismar
as revoltas de seus
dizeres

exceto

o Vinho envenenado?

IV

Seu corpo prostituído

[Calvários de inconcretudes]

arregaça
línguas soluçantes,

doura celas magoadas
e

flerta com as impaciências mortais

— Mas [oh!]
suas lágrimas já não me causarão sentimento;

não valerão

mais
que os pios das dores

retidas.


[By Benny Franklin]

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Do vinagre e seus usos


Eram especialistas em conter
Bastava meia dúzia de cães e seus lacaios
ou um pequeno pelotão de farda
armados com um pouco de ódio
 – que já vem de fábrica –
e um up grade que adquirem na jornada

Tudo se dispersava diante do pelotão
montado sobre ferozes cavalos
polícia e bandido (doutores de terno & gravata)
de mãos dadas para distribuir porrada

e a ordem era mantida para a glória
dos privilegiados (uma certa
    gente diferenciada)

Eis que o rumor da multidão
abafa o som das botas e das bombas
daqueles que pagávamos para nos matar

Ninguém recua até que o sol venha iluminar
      as vidraças            q u e b r a d a s



*

sábado, 8 de junho de 2013

ASTERISCO 812

não sei se só é amor o que não tem direção
que revira do avesso
e que desembrulha o que torna a desembrulhar
não sei
mas sei que é amor o que não tem direção, que revira do avesso
e que desembrulha o que torna a desembrulha
não sei
mas sei que é amor o que dói e o que não dói
e que agarra os sentidos e lambe a face da minha saudade
não sei quase nada do silêncio das horas que embala teus ouvidos...



quarta-feira, 5 de junho de 2013

CERTEZA/ REZA O SER


CERTEZA

da essência
devemos retirar
ou pôr?

nada
nos dirá

apenas a certeza!
Assim

REZA O SER

dito o ser de mim
dizendo reza
longa de-

longa…
esperando

uma manifestação
Mim

sexta-feira, 24 de maio de 2013

era uma boa bisca

jogava isca
pro robalo
pro linguado
pra tainha

só não mudava a ladainha.


hfernandes,
22 mai. 2013



Lançamentos

Amigos, dia 28 de Maio estarei lançamento meu novo livro de poemas, Elefante. No mesmo Bat Canal, lançaremos a coletânea Fórceps: são 4 poetas: Eu, Cássio Amaral, Heleno Álvares e Flávio Offer. Se der, compareçam! Abraços!


sábado, 11 de maio de 2013

Sim.ple


Devagar as cores despertam, os dilemas escorrem
num precioso rio de zelo e, é tanta força, semeia....
Um variar às labaredas q lambem a paixão q encanta.
Logo logo, as cores são festa, um grande lago de risos
entrelaçados, entrelaçando.

É sublime o amor q canto.





É simples ser o que sou...
Somamos com aquilo q somos.

Tento sim, não ser aquilo tudo que soa.
Ressoa estragado, estragando.

Ninguém sonha o que sonho.