quarta-feira, 24 de julho de 2013

PROVEDOR-MOR DE DEFUNTOS E AUSENTES

1. Dinamene! Dinamene!

pouco importa o que move os cardumes
ou o que torna cego os peixes exilados
       nas cavernas

tudo se resume – questão primordial –
no que teria sido se o Mekong tivesse
engolido aquele calhamaço

2. Entre gente remota edificaram

, ou outra língua surgisse da espada & do fogo e nos entrasse pela boca, após ser roubada por algum Prometeu – por exemplo. Falar Falar Falar até que as chagas da garganta cicatrizassem & parassem de doer

, ou outro messias surgisse no lugar desse – ó pai por que me... Também velho & cego, como convém (um olho vazado em Ceuta) (Para que tantos messias, meu deus?) 

ou nenhum messias – e fôssemos mudos como as pedras

3. D. Sebastião

acaso o Mekong tivesse
engolido aquele calhamaço
ou o poeta tivesse sido vencido pelo nado

talvez em um laboratório
ou no canto d’algum pássaro
ou de empréstimo de outro reino
uma nova língua até nós caminhasse
com seu rastro de pólvora e sangue

quem sabe outro poeta se erguesse
– em uma manhã de nevoeiro –
no caso do seu fracasso?





 *

segunda-feira, 8 de julho de 2013

BREVE ESPAÇO ENTRE O DELÍRIO E O SONHO QUE MOVE MOINHOS

 -

eu não deixaria de olhar pra onde ela parasse | isto ela sabia. | parou | inteira | deixou escorrer um misto de mistério e vontade. | num simples gesto | ela começou a retirar o colete à prova de abraços. | era uma explosão de sensualidade | exalando tal qual o perfume da própria pele | antevendo uma gota de êxtase | a escorrer sorrindo. | o barulho do velcro | do colete à prova de abraços se abrindo | encheu aquele instante que insistira ser uma dose de silêncio partido ao meio. | olhei aquilo | aquela coisa toda em que ela se transformava quando desvestia o traje de gala. | olhei | com meu melhor olhar desejante | olhei e imaginei tantas outras coisas | daquelas coisas que imagina quem quer abreviar o tempo | entre a loucura e a razão dos sentidos. | era pra ser assim e assim era | uma viagem de ida | sem passagens de volta. | quando vi já havia perdido a conta de quantos eram os abraços | sussurros | e beijos seguidos de arrepios. | quando dei por mim | o colete à prova de abraços que ela ousara usar | ganhara o chão da rua | naquela tarde quente. | numa rua madrilenha | almas e corpos ficaram deliciosamente nus | ardendo na felicidade do reencontro | na magia que é capaz de devolver | sem medos | o brilho dos sonhos que é de cada um | que é pra todo dia... [CléberCamargoRodrigues]

sexta-feira, 5 de julho de 2013

ELOS DIALOGANTES

resta pesar a leveza na aresta
da geometria dum verso
ao qual se acrescenta outro
criando elos dialogantes
esquadria dum pentagrama

as cores vão colorindo
suas formas vão rodando
multiplicando a singularidade

o equilíbrio, um só centro .

GASES REBELDES



Imagem by Noell Oszvald


I

Por um Cálice 
cheio
de ouro

e cobiça

o Homem inumano
aniquila outro
Homem

na mesma proporção
que um
Vulcão
ama a liberdade dos gases rebeldes.

II

Cada rumo sem trajeto não lhe serve
como
explosão
de
consciência,

é cerne desertado da Aurora
que já lhe

escapou das mãos
puídas;

é colapso energizado.

III

Qual a melhor
Cicuta [viés articulado]
para sofismar
as revoltas de seus
dizeres

exceto

o Vinho envenenado?

IV

Seu corpo prostituído

[Calvários de inconcretudes]

arregaça
línguas soluçantes,

doura celas magoadas
e

flerta com as impaciências mortais

— Mas [oh!]
suas lágrimas já não me causarão sentimento;

não valerão

mais
que os pios das dores

retidas.


[By Benny Franklin]

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Do vinagre e seus usos


Eram especialistas em conter
Bastava meia dúzia de cães e seus lacaios
ou um pequeno pelotão de farda
armados com um pouco de ódio
 – que já vem de fábrica –
e um up grade que adquirem na jornada

Tudo se dispersava diante do pelotão
montado sobre ferozes cavalos
polícia e bandido (doutores de terno & gravata)
de mãos dadas para distribuir porrada

e a ordem era mantida para a glória
dos privilegiados (uma certa
    gente diferenciada)

Eis que o rumor da multidão
abafa o som das botas e das bombas
daqueles que pagávamos para nos matar

Ninguém recua até que o sol venha iluminar
      as vidraças            q u e b r a d a s



*

sábado, 8 de junho de 2013

ASTERISCO 812

não sei se só é amor o que não tem direção
que revira do avesso
e que desembrulha o que torna a desembrulhar
não sei
mas sei que é amor o que não tem direção, que revira do avesso
e que desembrulha o que torna a desembrulha
não sei
mas sei que é amor o que dói e o que não dói
e que agarra os sentidos e lambe a face da minha saudade
não sei quase nada do silêncio das horas que embala teus ouvidos...



quarta-feira, 5 de junho de 2013

CERTEZA/ REZA O SER


CERTEZA

da essência
devemos retirar
ou pôr?

nada
nos dirá

apenas a certeza!
Assim

REZA O SER

dito o ser de mim
dizendo reza
longa de-

longa…
esperando

uma manifestação
Mim

sexta-feira, 24 de maio de 2013

era uma boa bisca

jogava isca
pro robalo
pro linguado
pra tainha

só não mudava a ladainha.


hfernandes,
22 mai. 2013



Lançamentos

Amigos, dia 28 de Maio estarei lançamento meu novo livro de poemas, Elefante. No mesmo Bat Canal, lançaremos a coletânea Fórceps: são 4 poetas: Eu, Cássio Amaral, Heleno Álvares e Flávio Offer. Se der, compareçam! Abraços!


sábado, 11 de maio de 2013

Sim.ple


Devagar as cores despertam, os dilemas escorrem
num precioso rio de zelo e, é tanta força, semeia....
Um variar às labaredas q lambem a paixão q encanta.
Logo logo, as cores são festa, um grande lago de risos
entrelaçados, entrelaçando.

É sublime o amor q canto.





É simples ser o que sou...
Somamos com aquilo q somos.

Tento sim, não ser aquilo tudo que soa.
Ressoa estragado, estragando.

Ninguém sonha o que sonho.

quarta-feira, 8 de maio de 2013


pegou as asas que nunca teve e foi voar bem alto pra ver o brilho do telhado das casas / deixou uma doce gotinha de sorriso escorrer entre os lábios / abriu o peito / esqueceu o embornal das saudades. / um cheiro de lágrimas salgadas e quentes sussurrou levezas na sua alma nua / mesmo assim não olhou em nenhuma direção. / de olhos bem fechados, apertou fortemente a mão esquerda da possibilidade e seguiu, sem deixar rastros, sem dizer nada. / apenas seguiu, enquanto a noite aparecia...   
 [CléberCamargoRodrigues]

domingo, 5 de maio de 2013

DE OUVIDO & OUVINDO


DE OUVIDO

até do silêncio só restar
a palavra escrita
em silêncio

nele descubro
a beleza

ainda por ler de ouvido
Assim

OUVINDO

nas tuas palavras falam
os dedos da mão
segurando

a minha a escrever
para lhe falar

o calor de calar dizendo…
Mim

sexta-feira, 26 de abril de 2013

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Dois

Uma vida errada, uma outra não contada. Uma rotina incerta, uma alma deserta. Tantas histórias loucas, e as verdades, poucas. Os caminhos distantes, e o carinho, de antes. Ver o céu, vindo do inferno. Ter o mel, no beijo eterno. Ser o azul, em tons celestes. Ou canção, quando viestes. Diante do mundo improvável e ante ao sim impensável a tarde se fez eterna. E no laço de pernas fez-se o que ninguém supôs... o que a inveja se opôs... o que o amor compôs e o que agora chama-se... dois. Anderson Julio Lobone

segunda-feira, 8 de abril de 2013





há poesias inacabadas
esperando a gente escancarar
nossas mais doces gargalhadas.

[CléberCamargoRodrigues]

sexta-feira, 5 de abril de 2013

DEIXO-ME... & ...DEIXO

DEIXO-ME TOCAR

deixo-me tocar pela poesia
mesmo ficando ainda
caindo em mim

quando lhe toco
sentimental

a ser fosse poeta ou louco!
Assim

TOCAR-ME DEIXO

a poesia na ponta dos dedos
consegue fazer cócegas
pois não sossego

de procurar escrever
a corresponder

a poetisa de quem se baptiza!
Mim