segunda-feira, 24 de junho de 2013

Do vinagre e seus usos


Eram especialistas em conter
Bastava meia dúzia de cães e seus lacaios
ou um pequeno pelotão de farda
armados com um pouco de ódio
 – que já vem de fábrica –
e um up grade que adquirem na jornada

Tudo se dispersava diante do pelotão
montado sobre ferozes cavalos
polícia e bandido (doutores de terno & gravata)
de mãos dadas para distribuir porrada

e a ordem era mantida para a glória
dos privilegiados (uma certa
    gente diferenciada)

Eis que o rumor da multidão
abafa o som das botas e das bombas
daqueles que pagávamos para nos matar

Ninguém recua até que o sol venha iluminar
      as vidraças            q u e b r a d a s



*

sábado, 8 de junho de 2013

ASTERISCO 812

não sei se só é amor o que não tem direção
que revira do avesso
e que desembrulha o que torna a desembrulhar
não sei
mas sei que é amor o que não tem direção, que revira do avesso
e que desembrulha o que torna a desembrulha
não sei
mas sei que é amor o que dói e o que não dói
e que agarra os sentidos e lambe a face da minha saudade
não sei quase nada do silêncio das horas que embala teus ouvidos...



quarta-feira, 5 de junho de 2013

CERTEZA/ REZA O SER


CERTEZA

da essência
devemos retirar
ou pôr?

nada
nos dirá

apenas a certeza!
Assim

REZA O SER

dito o ser de mim
dizendo reza
longa de-

longa…
esperando

uma manifestação
Mim

sexta-feira, 24 de maio de 2013

era uma boa bisca

jogava isca
pro robalo
pro linguado
pra tainha

só não mudava a ladainha.


hfernandes,
22 mai. 2013



Lançamentos

Amigos, dia 28 de Maio estarei lançamento meu novo livro de poemas, Elefante. No mesmo Bat Canal, lançaremos a coletânea Fórceps: são 4 poetas: Eu, Cássio Amaral, Heleno Álvares e Flávio Offer. Se der, compareçam! Abraços!


sábado, 11 de maio de 2013

Sim.ple


Devagar as cores despertam, os dilemas escorrem
num precioso rio de zelo e, é tanta força, semeia....
Um variar às labaredas q lambem a paixão q encanta.
Logo logo, as cores são festa, um grande lago de risos
entrelaçados, entrelaçando.

É sublime o amor q canto.





É simples ser o que sou...
Somamos com aquilo q somos.

Tento sim, não ser aquilo tudo que soa.
Ressoa estragado, estragando.

Ninguém sonha o que sonho.

quarta-feira, 8 de maio de 2013


pegou as asas que nunca teve e foi voar bem alto pra ver o brilho do telhado das casas / deixou uma doce gotinha de sorriso escorrer entre os lábios / abriu o peito / esqueceu o embornal das saudades. / um cheiro de lágrimas salgadas e quentes sussurrou levezas na sua alma nua / mesmo assim não olhou em nenhuma direção. / de olhos bem fechados, apertou fortemente a mão esquerda da possibilidade e seguiu, sem deixar rastros, sem dizer nada. / apenas seguiu, enquanto a noite aparecia...   
 [CléberCamargoRodrigues]

domingo, 5 de maio de 2013

DE OUVIDO & OUVINDO


DE OUVIDO

até do silêncio só restar
a palavra escrita
em silêncio

nele descubro
a beleza

ainda por ler de ouvido
Assim

OUVINDO

nas tuas palavras falam
os dedos da mão
segurando

a minha a escrever
para lhe falar

o calor de calar dizendo…
Mim

sexta-feira, 26 de abril de 2013

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Dois

Uma vida errada, uma outra não contada. Uma rotina incerta, uma alma deserta. Tantas histórias loucas, e as verdades, poucas. Os caminhos distantes, e o carinho, de antes. Ver o céu, vindo do inferno. Ter o mel, no beijo eterno. Ser o azul, em tons celestes. Ou canção, quando viestes. Diante do mundo improvável e ante ao sim impensável a tarde se fez eterna. E no laço de pernas fez-se o que ninguém supôs... o que a inveja se opôs... o que o amor compôs e o que agora chama-se... dois. Anderson Julio Lobone

segunda-feira, 8 de abril de 2013





há poesias inacabadas
esperando a gente escancarar
nossas mais doces gargalhadas.

[CléberCamargoRodrigues]

sexta-feira, 5 de abril de 2013

DEIXO-ME... & ...DEIXO

DEIXO-ME TOCAR

deixo-me tocar pela poesia
mesmo ficando ainda
caindo em mim

quando lhe toco
sentimental

a ser fosse poeta ou louco!
Assim

TOCAR-ME DEIXO

a poesia na ponta dos dedos
consegue fazer cócegas
pois não sossego

de procurar escrever
a corresponder

a poetisa de quem se baptiza!
Mim

domingo, 24 de março de 2013

Ars poetica


Não tenho voz de queixa pessoal, não sou
um homem destroçado vagueando na praia.
Drummond

por certo não sou digno da poesia
é o que se comenta
nos pequenos círculos

não comi a flor de lótus
tampouco sai às ruas chapado de rivotril

também disso estou certo
– eles o dizem, por que duvidar –
não evitei o amor
 essa grande balela

sequer morri de tuberculose
(nos corredores de uma sinistra biblioteca)

é o que se comenta
quem sou eu para duvidar

não me matei (ou matei alguém)
pelas palavras – ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência a vossa, etc e tal –
muito menos tive a Grande Visão

não vendi armas ao rei da Abissínia
ou cruzei o país
– vagabundo em um vagão –
no encalço do Sublime


.

quarta-feira, 20 de março de 2013

quinto






a canção repetia:

...que parece que estou carregando os pecados do mundo.
...que parece que estou carregando os pecados do mundo.

como um refrão de acusação
uma constatação relativa baseado
em particular perspectiva sem nenhuma confirmação divina

a primeira canção da estrada que ouvia na radio
embalava estranhos sonhos de viagem

o que teria vivido se abandonasse a casa paterna
e movido pelo rock rural partisse sem destino pela estrada

seria possível recuperar nessa altura da vida essa jovialidade ingênua
seria possível ainda cantar o refrão da antiga canção

tantos anos  passaram quase despercebidos
quebrando certezas
restou apenas a primeira canção da estrada
quase intacta cantada na radio imaginária
insistentemente tocada dentro da saudade de um tempo que não aconteceu