segunda-feira, 25 de junho de 2012
domingo, 24 de junho de 2012
Inventário de um rio # 2
1
Aquele havia sido o meu Eufrates.
Ainda que inexpressivo
– sequer constava no mapa –
não teria havido nada sem ele
(a água era tão pouca
e de tão má qualidade
– pombos sedentos agonizavam
às suas margens –
que nada sobrevivia em seu bojo
[além de vermes aquáticos
e caramujos da esquistossomose])
Aquele havia sido o meu Aqueronte.
Quando corria –
quase sempre estava engasgado
com o cadáver de cão –
conduzia a inframundos
governados por Hades
(pouca era a sua água
e de tão má qualidade –
espessa como a baba de um condenado –
que ela se mostrava incapaz de refletir o céu
[senão simulá-lo
com um azul de olho vazado])
2
Aquele que havia sido o meu rio
se arrasta por galerias de concreto
– como um fantasma do Lete –
roendo pacientemente os pilares da cidade
Aquele havia sido o meu Eufrates.
Ainda que inexpressivo
– sequer constava no mapa –
não teria havido nada sem ele
(a água era tão pouca
e de tão má qualidade
– pombos sedentos agonizavam
às suas margens –
que nada sobrevivia em seu bojo
[além de vermes aquáticos
e caramujos da esquistossomose])
Aquele havia sido o meu Aqueronte.
Quando corria –
quase sempre estava engasgado
com o cadáver de cão –
conduzia a inframundos
governados por Hades
(pouca era a sua água
e de tão má qualidade –
espessa como a baba de um condenado –
que ela se mostrava incapaz de refletir o céu
[senão simulá-lo
com um azul de olho vazado])
2
Aquele que havia sido o meu rio
se arrasta por galerias de concreto
– como um fantasma do Lete –
roendo pacientemente os pilares da cidade
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nolli
sábado, 23 de junho de 2012
Se é pra falar de amor
muito se fala de amor
antes do amor:
essa vontade
de ter o outro
ainda idealizado
essa saudade
de um encontro
apenas imaginado
é que a possibilidade de amar
parece amor consolidado
mas amor sem experiência
tem algum significado?
durante o amor:
essa vontade
de manter o outro
enamorado
essa saudade
banida a cada encontro
marcado
é que a oportunidade de amar
parece amor consolidado
mas amor sem convivência
não é um tanto precipitado?
e pouco se falar de amor
após o amor:
essa vontade
de ver o outro
sob cuidado
essa saudade
mantida a todo encontro
selado
a capacidade de amar
é amor consolidado
amor com resistência,
o único autenticado
No twitter: O amor já nasce velho.
Renata de Aragão Lopes
Publicado no Doce de Lira em 11 de junho de 2012.
Mar vagabundo
"O mundo é grande, mas em nós ele é profundo como o mar"
(Rilke).
Há um mar em mim.
Um mar de águas revoltas.
Nuvens pesadas circulam passageiras
Areias, em fileiras, atiram-me ao fundo
quase sempre certeiras.
Há um mar em mim
E eu tantas vezes nada entendi:
da cor que me veste olhos d'água
e do vento que me sopra à maré baixa.
Pois há um mar em mim
E eu não tive sequer escolhas
Não pude dizer (ao mar)
que parasse com esses cantos sombrios
Nem que me deixasse à não-mercê de tais desafios.
Por que esse mar é fora da lei
Não sabe o que é sorte, nem teme solidez
Tudo sente, nada sofre e me move à embriaguês.
Por que esse mar é poço sem fundo
Quanto mais arrasta, mais revira tão doce mundo
Secando-me as águas claras em tons cinza profundos.
Isso tudo porque esse mar é vagabundo...
Hercília Fernandes,
In Maria Clara: uniVersos
femininos
(LivroPronto, 2010).
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Hercília Fernandes
quarta-feira, 20 de junho de 2012
sentimento do mundo
quando li
as obras completas de Drumonnd
me interessou a narrativa mais íntima
sem dar conta de juízos de estilo
poema prosaico ou prosa poética
abandonei o medo de abrir
para visitação as salas da casa
as gavetas dos armários
as pequena e medíocres observações
ruiu como prédio mal construído
toda inabalável certeza
quando descobri essa poética nos livros de Drumonnd
restou a opção de continuar traçando planos
e permanecer fiel
coerente a uma maneira própria de enxergar o mundo
visão distorcida do reflexo
do que explicitamente penso sobre arte
discursando com as paredes
entendendo que nunca serei
o poeta que imagino
compreendendo tardiamente
não haver a menor chance de ser considerado
nas rodas eruditas um poeta importante para qualquer movimento
não sofro ou me penalizo com a constatação
permanecer anônimo
garante a liberdade de fracassar
para um público menor.
as obras completas de Drumonnd
me interessou a narrativa mais íntima
sem dar conta de juízos de estilo
poema prosaico ou prosa poética
abandonei o medo de abrir
para visitação as salas da casa
as gavetas dos armários
as pequena e medíocres observações
ruiu como prédio mal construído
toda inabalável certeza
quando descobri essa poética nos livros de Drumonnd
restou a opção de continuar traçando planos
e permanecer fiel
coerente a uma maneira própria de enxergar o mundo
visão distorcida do reflexo
do que explicitamente penso sobre arte
discursando com as paredes
entendendo que nunca serei
o poeta que imagino
compreendendo tardiamente
não haver a menor chance de ser considerado
nas rodas eruditas um poeta importante para qualquer movimento
não sofro ou me penalizo com a constatação
permanecer anônimo
garante a liberdade de fracassar
para um público menor.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Ode a Igualdade
Inadvertidamente tropeço no avesso das palavrasPossuem um vazio, um eco inaudível
Um silêncio que se mistura à repugnância da vida
Todas as frases e poesias vêm carregadas do acre gosto
E, ainda, do cheiro podre
De vestimentas que encobrem o corpo lazarento
.
Impossível incorporar multidões
Onde o que há é apenas vazios, infindáveis vazios
Desertos de silêncio que encobrem o grito maldito
Que ecoa dos infernos cavernais
Onde o corpo lateja em desejos de vingança
.
É preciso se conter, conter os espasmos
Que revelam o lado claro, o lado lúcido
Das coisas obscuras
É preciso reviver os enigmas,
Dar vida aos segredos
Tirar das palavras o que há de mais reles,
O que há de pecado original
Causando nos espíritos o gozo
Que vai além dos sentidos
.
Os passos descompassados fazem o eixo certo
Atravessam com exatidão a linha divisória entre a vida e o não viver
E, não viver é crime contra a própria vida
Ter medo dos prazeres, ou ainda, ignorá-los é crime maior que qualquer pecado
...............................................................................................[que se diga original
.
Não há originalidade no que é inventado como preceito de escravidão
Apenas absurdos
Declara-se desde então, no momento crucial em que a poesia sai do casulo estigmatizante,
Que a partir de agora
Todo o misticismo é simplesmente pó da estrada
Que todos os deuses estão condenados ao esquecimento
E que o homem, em seus atributos cedidos pela natureza evolutiva,
Está apto a conduzir
Através dos anos sua vida, correndo o risco de incorrer em suas próprias escolhas,
Pois já não há céu sobre si,
Já não há quem o guie, quem o marionetize,
Quem por fetiche o torne fantoche da existência.
.
Eis que o homem é senhor de seu tempo
E reconhecerá em si, o princípio das coisas
E seu final, crucial na imensa cadeia que se liga em amplitude
.
Eis que o homem pode e deve se transformar
Sem os transtornos de estar amarrado pelas mãos
Liberto das correntes que o condenavam desde o nascimento
.
Eis que o homem é dono da história
E pode, pelo poder que dispõe, lutar pela sobrevivência
Sua e de seus semelhantes,
.
Eis que suas mãos podem fazer justiça contra os comparsas,
Contra toda e qualquer forma de enganação que visa manipular,
Destruir ou escravizar
.
Eis que o homem é irmão de todos, e a terra, esta grande mãe,
Os abraça com igualdade,
Igualdade tal que deve ser em seu sentido completo
.
O único sentido para todos os homens.
.
Não há originalidade no que é inventado como preceito de escravidão
Apenas absurdos
Declara-se desde então, no momento crucial em que a poesia sai do casulo estigmatizante,
Que a partir de agora
Todo o misticismo é simplesmente pó da estrada
Que todos os deuses estão condenados ao esquecimento
E que o homem, em seus atributos cedidos pela natureza evolutiva,
Está apto a conduzir
Através dos anos sua vida, correndo o risco de incorrer em suas próprias escolhas,
Pois já não há céu sobre si,
Já não há quem o guie, quem o marionetize,
Quem por fetiche o torne fantoche da existência.
.
Eis que o homem é senhor de seu tempo
E reconhecerá em si, o princípio das coisas
E seu final, crucial na imensa cadeia que se liga em amplitude
.
Eis que o homem pode e deve se transformar
Sem os transtornos de estar amarrado pelas mãos
Liberto das correntes que o condenavam desde o nascimento
.
Eis que o homem é dono da história
E pode, pelo poder que dispõe, lutar pela sobrevivência
Sua e de seus semelhantes,
.
Eis que suas mãos podem fazer justiça contra os comparsas,
Contra toda e qualquer forma de enganação que visa manipular,
Destruir ou escravizar
.
Eis que o homem é irmão de todos, e a terra, esta grande mãe,
Os abraça com igualdade,
Igualdade tal que deve ser em seu sentido completo
.
O único sentido para todos os homens.
.
.
*** Poema do livro Itinerário Fragmentado (Quártica Premium, 2009)
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Dois
Uma vida errada,
uma outra não contada.
Uma rotina incerta,
uma alma deserta.
Tantas histórias loucas,
e as verdades, poucas.
Os caminhos distantes,
e o carinho, de antes.
Ver o céu, vindo do inferno.
Ter o mel, no beijo eterno.
Ser o azul, em tons celestes.
Ou canção, quando viestes.
Diante do mundo improvável
e ante ao sim impensável
a tarde se fez eterna.
E no laço de pernas
fez-se o que ninguém supôs...
o que a inveja se opôs...
o que o amor compôs
e o que agora chama-se... dois.
domingo, 17 de junho de 2012
como napalm
não rasgam-se as cortinas
nem cobrem-se os céus de relâmpagos
não ouvem-se trombetas
tampouco proclamas
só o silêncio escuro e espesso da ausência
entranha-se como napalm
à pele à mente à alma
Márcia Maia
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marcia
sábado, 16 de junho de 2012
Influente
O mendigo, folheando o jornal, que lhe serviria de coberta, viu uma notícia anunciando que a obra "A fonte", de Marcel Duchamp, fora escolhida como a arte moderna mais influente da história.
Perguntou a uma mulher de óculos, sentada no ponto de ônibus, com cara de professora, o que significava "influente". Ela não soube explicar, mas o menino que estava ao seu lado retirou um enorme livro da mochila e leu em voz alta, para que ele escutasse. "Influente: que influi; que tem autoridade, prestígio; que exerce influência sobre os demais".
O mendigo voltou para o banco e, depois de muito observar a imagem do "mictório assinado", que ilustrava a reportagem, levantou-se e começou uma caminhada com passos firmes e destino certo.
Influenciado pela obra, pretendia assinar todos os mictórios e vasos sanitários do banheiro público da praça.
No caminho, já imaginava a quantos não "influenciaria" com aquele gesto simples, mas artístico, de assinar o local onde os homens urinam. Teria, desse modo, "prestígio, autoridade".
Chegando ao banheiro, notou que já havia assinaturas por todo lado: paredes, portas, chão, teto e até no espelho quebrado. De fato, não havia nenhuma assinatura nos mictórios, mas naquele momento lhe pareceu tão menor, insignificante e tolo assinar naquele lugar, que se escondeu em uma das cabines e ficou ali, cabeça baixa e em silêncio, sentindo-se envergonhado a pensar que aquele era, de fato,
o lugar mais apropriado para que assinasse.
Levantando-se para sair, observou a quantidade de desenhos e frases escritas na porta. Seria aquilo arte também? Provavelmente sim.
Depois de ler e observar a arte que o encarava, sentou-se e, “influenciado” pelas pornografias descritas e ilustradas na porta, masturbou-se ali mesmo.
Saiu do banheiro, voltou para a praça, jogou a página da reportagem no lixo, se cobriu com o restante do jornal e, feliz, refletiu que, de fato, ele existia apenas para ser influenciado, não para influenciar ninguém.
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Isaac Ruy
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Pândega !
Ela se diz ninfomaníaca
Do tipo que surta e dá porrada!
Faz da cama, coração...
E da buceta, sentimento!
Em seu olhar, vejo morte !
Vazio preenchido de nada...
Maquiando dor com uma trepada
Um motel abandonado ao som do vento
Que delícia de farsa, meu bem!
Tua mentira, tua trapaça
Agridoce, tipo vinho seco na taça
Uma porção completa de desdém
Não se espante com a falácia
É só a oração do sexo...
Sem amor, nem compromisso
Pode ajoelhar, dizer amém !
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Tomaz
quarta-feira, 13 de junho de 2012
evangelho segundo ss
é muito difícil
crer no filho
feito cristo
e morrer cedo
feito personagem
do mais barato
folhetim
(depois
de revelar poderes
inclusive sobre a vida
e condenar riquezas)
muito mais fácil
crer em robin hood
cagando pros dogmas
,sem milagres
e só uma parábola
:a praxis social
***
velha boa vista
12.06.12
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Au.gusto
Está tudo pronto,
terminado.
Nada me importa
regressando à nado.
Augusto
adj. Que inspira respeito ou veneração: augusta proteção.
Grandioso, suntuoso; magnífico.
SAGRADO
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renato de melo medeiros
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Confissão
Sou a mulher fanática de um incendiário.
Crescem em mim sua rebeliões diárias.
Todas em segredo, entre silêncios,
subterrâneas,
para que não as tomem
seu adversários.
Sou a mulher fecunda de um incendiário.
Templo das piores inquietações e perplexidades.
Sexo encharcado, ventre que o acolhe,
para que vingue nosso filho,
o Imaginário.
Sou a mulher sem culpa de um incendiário.
Queimo palavras na lingua umedecida,
Transformo em chamas cântaros de frases.
Um corpo necessário
a uma alma sagitário.
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Flá Perez
terça-feira, 5 de junho de 2012
SENTIDO DA VIDA
eu gostaria de poder responder
a uma pergunta que não tivesse resposta
possível, pela forma, pelo conteúdo,
por tudo o que de poesia se pode procurar
nos versos, dando uma vida própria
ao sentido da vida
deste modo comporia o riso
num sorriso misterioso que ouso
apenas tentar quando me dou ao poema
como possibilidade plena, sem pena
de não encontrar suporte para este voo
onde me precipito
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Francisco
domingo, 27 de maio de 2012
esse poema começa quando outro terminar de contar sobre si mesmo
há na areia esse espanto,
fixar-se no transitar.
no entanto, quebro pedras.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Transição

Numa segunda eu nasço
na terça eu cresço
na quarta, apareço
na quinta eu caso
na sexta, descaso
no sábado , entristeço
e domingo, eu passo...
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joe canônico,
joe_brazuca
quinta-feira, 24 de maio de 2012
memóriasàbeiradeumestopimmemóriasà
{como uma mão aberta esperando
pelas torres
gêmeas são verdadeiras
sou memórias
e fatos – sou concreto
e acontecimentos
{como uma boca
aberta
esperando
um beijo
que não
vem}
: expludo?
– e o fogo em tuas
: explodimos? !
{como
uma trincheira aberta
esperando a granada que vem}
memórias a
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nolli
domingo, 20 de maio de 2012
rural
não é saber quem sabe faz
a hora não espera acontecer...
as meninas do dce
tomaram de assalto o hotel
bradavam palavras de ordem
tinham idade para ser minhas filhas
senti um orgulho danado dessa possibilidade
mais ainda pelo resgate do movimento estudantil
cada vez mais atrelado ao governo
parafraseando Milllor não acredito em estudantes que falam a favor
as meninas da rural
a esperança recuperando a história recente do pais.
Flávio Machado
PS: link para o documentário sobre a ocupação do Hotel da UFFRJ. http://www.youtube.com/watch?v=Xh7dOhC0l0M
sábado, 19 de maio de 2012
Roda viva
Sinto nesses campos de hoje em dia, moinhos e caminhos destroçando versos de uma colheita fora de época, na qual se tenta separar o jôio do trigo. Num sopro, ainda me tem em meus sentidos, a bonita impressão de ser a palavra, uma entidade viva e ativa nessa lavoura que tece sementes como quem traça des(a)tinos imutáveis nas linhas das mãos.
Se é vento o homem que sopra seu próprio destino, como dizer então dos traçados impostos e que nos cercam quando tentamos nos desviar das curvas, das amarras nos tornozelos, das ilusões dos nossos próprios delírios oculares?
Sinto meu oásis nesse deserto de opções e ainda assim, como quem guarda uma carta na manga, guardo um tesouro que dita o meu próprio amanhã, num garimpo de beiras e beiradas sem passos e sem chegada. Só para amanhã de manhã.
Será que despenco diante dos olhos, naquela minha distração breve, de cílios e de tempo?
[Samara Bassi]
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Samara Bassi
Renúncia
entrego-te a pena para que faças dela o que quiseres,
não sou o que imaginas, tampouco o que desejas,
sou apenas um aluado devaneando sonhos!
Renego qualquer herança,
os rabiscos nos muros são mais sinceros,
mais honestos, mais poéticos.
Estas palavras, aqui rabiscadas, nada valem.
Servem apenas de muleta onde escoro meu corpo fatigado
tentando equilibrar-me sobre as pernas que já não andam!
Meu rótulo é a cortina cerrada,
é o final da cena, o aniquilamento no escuro das coisas!
*** Poema do livro Itinerário Fragmentado (Quártica Premium, 2009)
sexta-feira, 18 de maio de 2012
O Presente
Ao te ver surgir ali
entre os pingos da chuva
tua vida, qual perfeita luva
encaixou-se na minha.
E então a linha
do antes e do depois
se pôs à minha frente
e minha alma carente
te quis assim, de presente.
Desde então promessas,
vidas às avessas
e um mundo inteiro
entre nós dois.
Mas por uma fresta
minha vida te trouxe
para a festa,
para o sonho,
para o mundo,
para mim...
E agora
minha boca salgada
diz não querer mais nada.
E o presente...
é esse para sempre...
na vida da gente.
Anderson Julio Lobone
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Louça Suja
Palha de aço, sabão e
detergente
Passeando cano abaixo água e gordura
No reflexo da fôrma vejo meus olhos
Engolidos pelo ralo (tristeza e fúria)
Repetição e melancolia
Garfos sujos de arrependimento
Ensaboando pensamentos imundos
Enxaguando-os com sofrimento
Os copos espelham rotina
Impregnados de agonia
Marasmo / Tédio / Solidão
Por fim, secando a pia
Consultório de psiquiatria
Contato direto com a podridão
Passeando cano abaixo água e gordura
No reflexo da fôrma vejo meus olhos
Engolidos pelo ralo (tristeza e fúria)
Repetição e melancolia
Garfos sujos de arrependimento
Ensaboando pensamentos imundos
Enxaguando-os com sofrimento
Os copos espelham rotina
Impregnados de agonia
Marasmo / Tédio / Solidão
Por fim, secando a pia
Consultório de psiquiatria
Contato direto com a podridão
segunda-feira, 14 de maio de 2012
domingo, 13 de maio de 2012
re.visão_2
os civilizados
precisamos de mitos
pra depois destruí-los
e em seguida resgatá-los
o motor da história
precisa sangue trágico
pra mover moer
reputações
e entregar ao vencedor
mais que batatas
verdades
inventadas a esmo
já não me interessa
o que foi zumbi
continuo regando a semente
implantada nos genes
que se chama liberdade
***
inspirado na matéria
_"Livro reconstrói a biografia de Zumbi dos Palmares",
assinada por mateus araújo
no caderno c, jornal do commercio, 13.05.2012.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
paz'ciência
∞
Uma voz interna em mim é chama, me
chama:
compensa essa ciência saber que não estou morto
porque lhe falo com químicas cores,
canto de amores.
Acorda bem cedo esse gesto de permissão
confiando com certeza nos abraços de quem é
alegria,
viciado apenas num sonho - livre entusiasmado,
parceiro confiante do dia-a-dia.
paz
s. f. 1. Estado de um país que não está em guerra; tranqüilidade pública. 2. Repouso, silêncio. 3. Tranqüilidade da alma. 4. União, concórdia nas famílias. 5. Sossego.
ci.ên.cia
s. f. 1. Conhecimento exato e racional de coisa determinada: C. do bem. 2. Sistema de conhecimentos com um objeto determinado e um método próprio: A lingüística é uma c. S. f. pl. Conjunto de disciplinas visando à mesma ordem de conhecimentos: C. naturais...
Imagem::Usinaemporium
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