segunda-feira, 16 de abril de 2012

Itinerário


Um gentleman sem dama...


__Solidão

___ Lucidez

_____Silêncio


Nem camisa de força doma !

sábado, 14 de abril de 2012

dos contatos


não bato papo
trato com tato
falo a língua
viva que vibra

da boca
na boca [que há borda]
do olho
no olho [que há fundo]

toco vida e verso
no gesto quase
no mezzo jeito:
sopro e sulco

- suave soo
vinco intenso -

pretendo
perto [que há visto]
viso
dentro [que há tento]

do resto raso
despeço-
me te

se

a tempo


valéria tarelho

sexta-feira, 13 de abril de 2012

open you window

para edna costa


nem penso
em contrariar
o pedido de ella

mesmo
com os aviões passando
sobre nossas cabeças
e sem o lençol
de embalar sonhos

:é sempre
a mesma viagem
quente elegante
de uma voz divina

***

música aqui

quarta-feira, 11 de abril de 2012

a loucura mora ao lado




"E, no meu caso particular, a loucura, 
além de morar ao lado, usa frequentemente o meu telefone."
Bruna Lombardi


E vem...
amarga
com o passado almeja
vazia com sua busca, tentando
me extirpar. Imolando a afeição.

Fadado a muitas festas
lhe explico com vontade de rir,
de ti, desse teu cheiro de burra na chuva:
a solidão desses dias pode ser uma miragem
mas a noite traz vontades
cópias nuns desejos
de sua vulva em meus lençóis.
Calma, só ela, permitida a caprichos que a excitação explora.
Fadado a ir devagar, sem essas palavras tolas que tua veia solta
e maluca às vezes é como uma falta de ar no meio da música.


 

Meticuloso, pacientemente vou testando,
digitalmente procurando encontrar
um ponto que seja o G
de geral.

Desligando na tecla,
o que te faz de besta.


Imagem::Usinaemporium

segunda-feira, 9 de abril de 2012

canto meio desesperado

arte: rafael godoy

me ensine a percorrer esses
caminhos sem sombras
me diz embora o dia nublado
e os homens cinzas
que a noite vem com estrelas

tenho as mãos secas de agonia
imploro para que preserve os meus olhos
esses ossos e o coração já vacilante
que a morte é certa mas não precisa ser agora

descobri que tenho me escondido em vão
e o meu grito se estende como uma estrada longa e sem volta

vejo em você o que não queria ver em mim
e me assusto sempre
então me mostre o que não sei
e deixe a marca de seu amor

me contamine
nesse dia
que essa febre não vai me matar
pelo menos hoje não

domingo, 8 de abril de 2012

Érebo, três horas da tarde


Esses Páris e Orfeus
não chegam ao fim de nada.

E os que chegam, como Teseu
logo depois se vão embora.

Não sou Helena ou Eurídice
já lhe disse!

Prefiro ser essa Revolta
(deusa brasileira da cor da Caipora)

Faço feitiços, tomo aviões, me desfaço
e se ele não me quiser
digo que me mato, me vingo
morro e renasço.

Assim sou uma dorzinha lá no fundo
que não passa.

Arrume uma Ariadne, uma coitada
tenha os filhos que eu não posso
e mesmo assim não me esqueça
(pro meu antídoto
só eu tenho a doença)

e saiba, não volto
nem que de joelhos
me peça.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

GOLFANDO O ARDUME

Fotografia By Lee Jeffries

I

Como um boto
que vai aos bailes com suas prováveis vítimas                   
                            desprezando o antes-gozo;

                 Como um buraco negro
que lança galanteios às supernovas
desdizendo da após-aurora esmeraldina,

                              Assim
o instante desdenhando do bíceps.

Assim
  a imaginação do benjaminzeiro
     concebendo à fórceps.

                              Assim
o verbo golfando sob o ardume.

II

Há poetas
com saliências verborrágicas
  para iludir o pranto
                   e
      olhares insulares que servem de analgésicos
          para confundir a vida.

III

         Há poemas

e não 
fingimentos

que crescem mais do que a alma 
pode suportar,

esses

são brotos ortodoxos
da
consciência

necessários

à satisfação de suas masturbações.

VIAJANTE ININTERRUPTO


procuro a dura realidade...

nesta expressão interessante
para iniciar um poema
onde quero fazer meu texto
com a natureza de nuvem

viajante ininterrupta
das energias do planeta
a jogar a sua sorte
da condensação à precipitação

procuro a dura realidade
na dissolução das moléculas
como um pensamento desfeito
onde sou viajante ininterrupto

quarta-feira, 28 de março de 2012


terça-feira, 27 de março de 2012

A Todos e a Ninguém

Tens por ponte teu nome,
Entre o além-homem e o animal.
Ontem, o tempo todo,
Querias ser outro amanhã.
Mas foi o mesmo, o tempo
Inteiro, até mais tarde.
Inventa a tua vontade
E a mata, existindo.
Quando o mundo redimido
Sob o teu holocausto,
pensarás um deus
consumido, consumado,
Noutro que não o teu.
Em virtude do além-homem,
Amarás a inexistência do teu nome,
Amarrado sobre o penhasco
que sucumbes, lentamente.

domingo, 25 de março de 2012

Elegia

Briton Revière  (1840 – 1920)  - Daniel na Cova dos Leões

De fato, sua morte não
nos livra de nossa própria morte.

Antes,
nos mostra outras formas de morrer –
comum em todos os lugares
onde há rios de gordura
& grandes nuvens de açúcar

(como se sua morte – e toda a
burocracia em torno de seu corpo –
suspendesse a morte que trazemos conosco)

De fato, sua morte não
nos salva de nossa própria morte.

Antes,
nos mostra como iremos morrer –
verdade apontada
em pequenos sinais diários
& centenas de páginas de hemogramas

(como se sua morte – e todas as
obrigações em torno de seu corpo –
impedisse o andamento da nossa)

*

Dando o nó na gravata...


Perpasse tangencialmente o estirante
contornando o laço à frente
Segure as pontas para não entortar
bem como na vida da gente...
Com um dos dedos da mão direita
estique e segure a fita estreita
olhando sempre adiante
como quem "tipo", espreita...
Prenda firme no pescoço
não importa se velho ou moço
e já verá um esboço
o nó de uma vida se aproxima
bela figura, quanta estima,
te sentirás um pequeno colosso !
Dê duas voltas assimétricas
segure o fôlego, esqueça o poço
porque agora falta pouco
pra de repente, ficar louco
e cair numa crise histérica..
E, se não vier a conseguir um nó
e lenvantou somente muito pó
comece tudo de novo
tente botar em pé, um ovo
tenha em mente o espelho à frente
siga tentando bravamente
dê logo esse nó, meu amigo
ela chega até o umbigo,
é só um nó...Tenha dó !

sábado, 24 de março de 2012

estados



não tendas a decifrar-me,
amado meu

hoje estou chuva
amanhã, saberá deus?

nuvem muda...




eu?
de lua

porque há dias
de sol

outros,
de chuva




hercília fernandes


terça-feira, 20 de março de 2012

coríntios

desolação e a precariedade das certezas
amores inabaláveis
a urgência das decisões faliveis
sofrimento transitório
fruto de dor passageira

temporária
efêmera

o vento das tempestades
revezando com os dias de sol
cárcere e liberdade
festa e velório

nascimento
morte.


Flávio Machado

segunda-feira, 19 de março de 2012

Fábula

sentei-me à sombra
daquela árvore de anos
que me contou suas histórias
de adormecer canários,
de compartilhar formigas,
de florescer horários
nos seus galhos de
acariciar o tempo.
[Samara Bassi]

domingo, 18 de março de 2012

Baú da Alma




Resolvi abrir o baú da minha alma.
Estava lotado.
Retirei um monte de ilusões.
Para a minha alegria,
ele ainda está abarrotado de sonhos.

(Anderson Julio Lobone)

sábado, 17 de março de 2012

Saciedade


sinto
que sei
o que sou.

E quiçá
sei
somente
isso.

saudade


essa coisa que dá um nó na gente
que aperta aperreia e faz chorar
e não tem jeito claro pra explicar
que diacho é aquilo que se sente
mais parece ser coisa de demente
não é raiva ou tristeza nem mania
nem remorso ou amor nem latomia
alegria então mesmo é que não é
é uma falta de ver quem ver se quer
é querer ter quem tanto se queria



Márcia Maia


sexta-feira, 16 de março de 2012

donadecasahipocondríaca

acordoucom
dordecabeça
levantoulabirintite
trêscapsulas
começoualimpeza
dobanheiro
refluxogastrite
esfregouchãoparede
artroseartrite
doiscomprimidos
limpouquartos
herniadedisco
salaevaranda
hipoglissemia
quarentagotas
lavouasroupas
brancasecoloridas
leveanemia
cincopílulas
passoudobrou
fortesinusite
escolheufeijão
asmabronquite
picouacarne
esquentouarroz 
oitocomprimidos
úlceranervosa
lavoucopos
arritmiatremedeira
noventagotasduaspílulas
secoupratos
capsulascoloridas
guardoutalheres
arrumougavetas
espasmosalucinação
comprimidospílulasgotas
fraquezacovulsão
morreucaída
entreaspanelas
depressão

Isaac Ruy

quinta-feira, 15 de março de 2012

Bem Amigos da Casa do ©aralho !


Resolvi temperar a vida com Sazon...
Fiquei foi hipertenso!
Regulei a moral com Activia...
Maior piriri tenso!

Crime corporativo no café da manhã...
Entre queijo do reino e requeijão processado
Consta um abismo imenso!

Vou passar lustra móveis na fuça...
Justificar absurdo com “bom senso “ !
Ser filho da puta é o senso comum...
No cartório e tudo, por extenso!

Jeitinho brasileiro “dôtô”...
Pode construir que depois a prefeitura regulariza!
Seja da massa, jovem, fiel ou nação...
Dia de futebol é tomar cerveja e vestir a camisa!

Que democracia sólida, não?
Se não for obrigado a votar, me avisa!
Bem que podia votar meu próprio salário
Esquecer as Casas Bahia e tirar férias em Ibiza!

Acorda sangue bom, acorda!!!
No máximo tomar 51 e atropelar mendigo ao fazer baliza!

Arrumar um bom advogado e ficar sussa...
(Se pagar bem o corno anfíbio, é claro!)
Lamúrias de um pobre tupiniquim na montanha russa!
(Inadimplente tapinha nas costas resolve? Meu caro.)

quarta-feira, 14 de março de 2012

nirvana


terça-feira, 13 de março de 2012

poema urgente

           
                "compaixão é fortaleza"
                             
renato russo

a compaixão ergue muralhas
blindando o ego
pra que não saia por ai
a ferir semelhantes
condenando sentimentos
aos infernos de dante

a compaixão
é o que pode
e só ela 
salvar nosso mundo




domingo, 11 de março de 2012

cum.pli.ci.da.de


...

Dizem q
em boca fechada
entra tão pouco mosca q
ficaríamos horas aqui
feito tolos 
esperando, loucos
para tomar uma sopa...


cum.pli.ci.da.de
s. f. Ato ou qualidade de cúmplice.

quinta-feira, 8 de março de 2012

CRIO ASAS E TODO SORRISO QUE EU PRECISO É PRA PODER VOAR...


eu ando, como quem não quer nada e quer tudo e um pouco mais, ainda.
volto, revolto e dou meia volta e volta e meia, coisa à toa que independe da teia.
sumo do suprassumo, resumo da ópera, presumo que tudo que já é agora daqui a pouco já era – torcicolo na fila de espera.
freio na frente da tela, tecendo coisas e cores, rasgo o risco e rabisco palavras indeléveis.
o sono sorri da sina e do sim dos sons, romântico o coração seduz minha alma nua, minha alma sapeca é toda levada da breca.
lágrimas salgadas silenciosamente rolam pelo meu rosto, mas não lavam minha alma – até aqui, meu coração é minha alma lavada, minha arma sem travas, minha ligação sem trotes...