LXXIV (de Rimas)
Las ropas desceñidas,
desnudas las espadas,
en el dintel de oro de la puerta
dos ángeles velaban.
Me aproximé a los hierros
que defienden la entrada,
y de las dobles rejas en el fondo
la vi confusa y blanca.
La vi como la imagen
que en un ensueño pasa,
como un rayo de luz tenue y difuso
que entre tinieblas nada.
Me sentí de un ardiente
deseo llena el alma;
¡como atrae un abismo, aquel misterio
hacía si me arrastraba!
Mas, ¡ay!, que de los ángeles
parecían decirme las miradas:
"¡El umbral de esta puerta
sólo Dios lo traspasa!"
LXXIV
As íntimas caídas,
nudez pelas espaldas;
ali, d’ouro o dintel que a porta prende,
dois anjos a velavam.
Me aproximei dos ferros
que defendem a entrada,
dentre as dobradas grades, bem no fundo
a vi confusa e branca.
A vi como uma imagem
que em leve sono passa,
como um raio de luz tênue e difuso
que entre tênebras nada.
Me senti de um ardente
desejo plena a alma;
a atrair um abismo, o tal mistério
como que me arrastava.
Mas, ai!, aqueles anjos,
pareciam dizer-me
suas miradas - O umbral desta porta
a Deus somente passa.
La prière d’un païen
Ah ! ne ralentis pas tes flammes ;
Réchauffe mon coeur engourdi,
Volupté, torture des âmes !
Diva ! supplicem exaudi !
Déesse dans l'air répandue,
Flamme dans notre souterrain !
Exauce une âme morfondue,
Qui te consacre un chant d'airain.
Volupté, sois toujours ma reine !
Prends le masque d'une sirène
Faite de chair et de velours,
Ou verse-moi tes sommeils lourds
Dans le vin informe et mystique,
Volupté, fantôme élastique !
A prece de um pagão
Não te deixes as chamas calmas!
Ao fogo, o meu torpe caqui!
Volúpia, tortura das almas!
Diva! suppplicem exaudi!
Deusa nos ares convertida,
Flama que é de nossa tez, agra,
Cumpre n’alma de frio vida,
Canto de bronze te consagra!
Volúpia, sê minha rainha!
Mascara-te em sereiazinha
Com o corpo de carne e veludo,
Ou verte-me teu sono mudo
Em vinho de monge e chiclete,
Volúpia, fantasma que flete!
(Traduções de Henrique Pimenta)











